REPROPEDIA- Versão Portuguesa de Portugal

A | B | C | D | E | F | G | H | I | J | K | L | M | N | O | P | Q | R | S | T | U | V | W | X | Y | Z |

A

Aborto

Interrupção da gravidez. Distingue-se dois tipos de aborto/abortamento: espontâneo e induzido. O aborto espontâneo ocorre naturalmente como consequência de anomalias genéticas ou do desenvolvimento do feto. O aborto induzido refere-se à interrupção da gravidez provocada por métodos cirúrgicos ou medicamentosos. O aborto induzido poderá ser efetuado por razões médicas (interrupção médica de gravidez) ou por desejo da grávida (interrupção voluntária da gravidez) nos devidos enquadramentos legais.

Abstinência

Em reprodução, refere-se à privação voluntária de relações sexuais.

Acrossoma

O acrossoma é uma vesícula exocítica, constituída por uma dupla membrana, que provém do complexo de Golgi. Esta vesícula localiza-se na parte anterior da cabeça do espermatozoide, o que favorece a sua função: a exocitose de enzimas hidrolíticas para a zona pelúcida do oócito. A reação acrossómica, isto é, a libertação das enzimas hidrolíticas do acrossoma, permite que haja degradação da zona pelúcida do oócito, permitindo que o gâmeta masculino penetre e que ocorra a fusão das membranas dos gâmetas opostos, ocorrendo assim a fertilização.

Activina

A activina é uma proteína responsável pela regulação de numerosas funções celulares, incluindo a produção e libertação de uma hormona reprodutiva denominada hormona folículo-estimulante. A ativina é produzida na maioria dos órgãos e controla a proliferação e diferenciação celulares. A deficiência desta proteína resulta em deficiências profundas e precoces no desenvolvimento. A ativina é regulada por uma proteína relacionada denominada inibina. A ativina e a inibina controlam a reprodução e um desequilíbrio em qualquer uma destas hormonas pode resultar em infertilidade, no homem e na mulher.

Adeno-hipófise

A adeno-hipófise ou hipófise anterior compreende o lobo anterior da hipófise e faz parte do sistema endócrino. Contém diferentes tipos celulares que produzem seis hormonas: ACTH ( Hormona Adrenocorticotrópica), FSH (Hormona folículo Estimulante), LH (Hormona Luteinizante), PRL (prolactina), GH (hormona de crescimento) e TSH (Hormona Estimulante da Tiroide). Estas hormonas são fundamentais para o equilíbrio metabólico intervindo em processos fisiológicos essenciais e também na reprodução.

Afrontamentos

Sintomas comuns na menopausa caracterizados por uma sensação de aumento súbito da temperatura corporal, aumento da frequência cardíaca e aparência ruborizada da face. Os afrontamentos ocorrem com grande frequência na fase inicial da menopausa, desde algumas vezes por semana até múltiplos por dia. Embora a maioria das mulheres experimente algum grau de afrontamentos durante a menopausa, é possível entrar na menopausa sem sentir afrontamentos.

Agonista

Em endocrinologia, um agonista é uma substância química ou hormona capaz de estimular uma célula de forma similar a outra hormona. Geralmente, um agonista atua como imitador de hormonas e liga-se ao mesmo recetor utilizado por essa hormona.

Amenorreia

Ausência de menstruação durante mais de seis meses numa mulher anteriormente com ciclos menstruais normais. Numa mulher com desenvolvimento sexual normal e ausência de primeira menstruação depois dos dezasseis anos classifica-se como amenorreia primária.

Amniocentese

Técnica de diagnóstico pré natal que permite a deteção de anomalias cromossómicas utilizando uma amostra de líquido amniótico para obter o cariótipo do feto. O líquido amniótico envolve o feto dentro do útero. A amniocentese é habitualmente realizada depois das 16 semanas de gestação. 

Âmnios

O âmnios é uma membrana constituída por uma simples camada de células epiteliais e uma fina lâmina de tecido subjacente, com uma espessura total que não excede meio milímetro. Embora fina e transparente, é relativamente resistente. Tem origem na ectoderme, forrando toda a cavidade onde se encontra o feto, o cordão umbilical e o líquido amniótico. Reveste exteriormente o cordão umbilical, confundindo-se a nível do umbigo com a pele do feto. Durante a expansão da cavidade amniótica o âmnios adere ao córion, sendo, contudo, separável deste em qualquer momento da gestação. O âmnios está presente na altura do nascimento na maioria das espécies.

Ampola

A trompa de Falópio divide-se em três partes. A ampola é a zona média, sendo a zona onde mais frequentemente ocorre a fecundação.

Anafase

Os processos de divisão celular, denominados mitose e meiose, possuem diversas fases, em que uma destas se denomina anafase. Nesta fase da divisão celular, os cromossomas que se encontram alinhados na zona equatorial ascendem para os polos opostos. Esta ascensão é realizada pela contração dos microtúbulos do fuso acromático (ou fuso mitótico/meiótico). Na meiose, a anafase I permite a separação dos cromossomas homólogos, dando origem a duas células haploides. No processo mitótico e na anafase II (meiose), ocorre separação dos cromatídeos, que estariam ligados pelo centrómero. Esta separação permite que cada célula originária da divisão celular possua o mesmo número de cromossomas.

Androgénios

Os androgénios são uma classe de hormonas esteroides produzida nos testículos, glândula suprarrenal e ovários. No homem, os androgénios são essenciais para o desenvolvimento e manutenção dos órgãos sexuais e das características sexuais secundárias. Na mulher, os androgénios são precursores dos estrogénios.

Aneuploidia

A aneuploidia é um tipo de anomalia cromossómica. É caracterizada por um número anormal de cromossomas numa dada célula, isto é, o cariótipo de uma dada célula pode ter cromossomas a mais ou estar algum dos cromossomas em falta e não ser o normal (22 pares + cromossomas sexuais). A aneuploidia pode ser causa de erros na divisão celular (meiose) e pode levar a consequências como os conhecidos defeitos genéticos. Das aneuploidias mais conhecidas, salientam-se as trissomias, como por exemplo a trissomia do cromossoma 21 (conhecida como o Síndrome de Down) e as monossomias, como o Síndrome de Turner, em que falta um dos cromossomas sexuais. No caso dos gâmetas femininos, as aneuploidias podem levar a infertilidade, a abortos e defeitos no recém-nascido. As aneuploidias são diagnosticadas através da análise do cariótipo ou outros testes genéticos.

Anovulação

Ausência de ovulação, ou seja ausência da libertação do ovócito do ovário. Poderá ser fisiológica antes da puberdade, na amamentação ou depois da menopausa. Poderá estar associada a patologias do ovário, da hipófise ou do hipotálamo. A anovulação crónica é responsável por cerca de 30% dos casos de infertilidade feminina, sendo a sua causa mais comum o síndrome dos ovários poliquísticos.

Ânus

Define a porção terminal do trato gastrointestinal, no extremo oposto à boca. Controla a expulsão de fezes do corpo. 

Apoptose

O processo pelo qual ocorre morte celular programada denomina-se apoptose. Este processo ocorre de forma natural, de modo a promover a homeostase celular, sendo induzido tanto por estímulos extrínsecos à célula (como o contacto com radiação UV) como intrínsecos (em caso de desregulação da homeostase celular), tendo como consequência a destruição benigna da célula (sem que ocorra inflamação). Na apoptose estão interligadas diversas vias com o intuito de ser um processo extremamente regulado, que o distingue da necrose. Os aspetos celulares mais conhecidos da apoptose são: formação de corpos apoptóticos (bebbling), redução do tamanho da célula, fragmentação do núcleo e fragmentação do ADN.

Apresentação pélvica

Situação longitudinal do feto na qual a cabeça do feto se encontra no pólo superior do útero.

Armazenamento de tecido ovárico

É o processo em que um ovário (ou parte de um ovário) é removida cirurgicamente e a porção exterior (córtex), que contem os ovócitos, é criopreservada para utilização posterior. Nas mulheres que são sobreviventes de alguns tipos de cancro, alguns fragmentos de tecido podem ser descongelados e autotransplantados. Já existem algumas gravidezes resultantes da utilização desta técnica. O transplante pode não ser seguro após alguns tipos de cancro (por exemplo, leucemia) por causa do risco de disseminação do cancro primário. O Oncofertility Consortium ® pesquisa ativamente novas formas de utilização deste tecido. As técnicas são ainda experimentais, mas podem ser a melhor opção para a mulher que deve iniciar seus tratamentos imediatamente.

Aromatase

A aromatase é a enzima-chave responsável pela produção de estrogénios. Esta enzima atua acelerando a conversão da testosterona, um androgénio, em estrogénios. Os estrogénios demonstraram promover o crescimento de alguns tumores da mama. Os inibidores da aromatase podem diminuir os níveis de estrogénios e são utilizados no tratamento do cancro da mama e de outras doenças.

Astenospermia

Astenospermia é o termo médico para uma condição na qual os espermatozoides têm uma motilidade reduzida - a capacidade de nadar ou de se mover. Fatores genéticos, idiopáticos e iatrogénicos podem resultar nesta condição. Embora a infertilidade masculina seja mais frequentemente atribuída a uma baixa contagem de espermatozoides, ter esperma com motilidade deficiente pode levar a infertilidade, porque, uma vez ejaculado, o esperma deve ser capaz de viajar através da vagina, colo do útero e útero antes de alcançar as trompas de Falópio , onde a fertilização terá lugar. Para superar a infertilidade devido  a astenospermia , podem ser usadas tecnologias de reprodução assistida , como a injeção intracitoplasmática de espermatozoides.

Aterosclerose

Doença inflamatória crónica caracterizada pela formação de ateromas dentro dos vasos sanguíneos. Os ateromas são placas, compostas especialmente por lípidos e tecido fibroso, que se formam na parede dos vasos. O volume dos ateromas aumenta progressivamente, podendo ocasionar obstrução total em algum ponto do vaso.

Ativação do oócito

A ativação do oócito refere-se a uma série de eventos que acontecem no gâmeta feminino durante a fertilização pelo espermatozoide. Uma das alterações é o grande efluxo de cálcio, que é ativado pela fosfolipase C (uma proteína que se localiza no citoplasma do espermatozoide). O efluxo leva à indução das vias de sinalização e a eventos como o reinício da meiose, ao bloqueio da polispermia (de outros espermatozoides), à ativação do metabolismo, à síntese de ADN e à tradução de mRNAs necessários para o desenvolvimento embrionário.

Atrésia

Abordando as células germinais, a atrésia é a morte celular destas mesmas células, antes da formação do folículo. A apoptose é a via de morte preferencial neste processo, podendo haver casos é que é substituída por outros processos como a autofagia.

Atrésia folicular

A degeneração de folículos ováricos antes da maturação dos mesmos ser atingida é conhecida como atrésia folicular. Durante a fase folicular do ciclo menstrual, ocorre a degeneração de folículos imaturos e a sua reabsorção. Esta morte folicular pode ocorrer em qualquer estádio da foliculogénese, sendo necessária para manter a saúde reprodutiva na mulher.

Atrofia vaginal

Atrofia vaginal é o adelgaçamento e a inflamação das paredes vaginais devido à diminuição dos níveis de estrogénios. Esta condição ocorre tipicamente após a menopausa, mas pode também ocorrer noutras circunstâncias em que os níveis de estrogénios são baixos. Os sintomas incluem relações sexuais dolorosas, ardor vaginal, secura, dor ao urinar e infeções do trato urinário.

 Autofagia

A autofagia é um processo fundamental para o bom funcionamento da célula, onde ocorre a degradação enzimática de organelos, proteínas e outros componentes, utilizando os próprios lisossomas. A autofagia permite a reutilização dos produtos da degradação necessários para outros organelos da célula. O jejum prolongado é uma das condições mais conhecidas que induz este processo. No entanto, quando ultrapassa um certo limiar, a autofagia pode mesmo induzir a morte celular autofágica ou programada. 

Autossoma

Os autossomas são os 44  cromossomas somáticos (do par 1 ao 22)que constituem o cariótipo humano, que não estão ligados ao sexo, ou seja onde não estão incluídos o cromossoma Y e o cromossoma X (2 cromossomas sexuais ou heterocromossomas). Os autossomas são os cromossomas comuns tanto ao sexo feminino como ao masculino.

Azoospermia

Azoospermia é o termo médico para uma condição em que nenhum espermatozoide está presente no sémen o que pode resultar de fatores genéticos, idiopáticos e iatrogénicos, condicionando infertilidade. Existem dois tipos de azoospermia: obstrutiva, que se refere a problemas no transporte dos espermatozoides dos testículos até ao pénis, e não-obstrutiva , que se refere a defeitos na produção de espermatozoides. Dependendo do tipo de azoospermia , certas tecnologias de reprodução assistida, como a TESE e ICSI , podem ser utilizadas para ajudar um homem com esta condição conceber.

B

Banco de embriões

Procedimento que consiste na produção de embriões através de fertilização in vitro. Estes embriões são posteriormente criopreservados e armazenados para serem usados mais tarde.  Este processo pode demorar um mês a ser completado.

Banco de esperma

É o processo de recolha e criopreservação de espermatozoides para uso futuro.

Banco de ovócitos

Processo que consiste na recolha de ovócitos de uma mulher após esta ter sido submetida a estimulação hormonal. Apesar de ser um procedimento semelhante ao banco de embriões, os ovócitos não são fecundados antes de serem criopreservados. Esta é, assim, uma boa opção para mulheres que não têm um parceiro masculino e que não pretendem utilizar esperma de um dador. Este processo pode demorar um mês a ser completado.

Banco de tecido testicular

É o processo em que o tecido testicular, incluindo as células que produzem esperma e o esperma em si, é recolhido e criopreservado. 

Bifosfonatos

Os bifosfonatos são fármacos que podem diminuir ou cessar a atividade de células que destroem o osso e assim preservar a densidade e robustez ósseas e reduzir o risco de fratura. Os bifosfonatos são geralmente usados para prevenir e tratar a osteoporose.

Bioengenharia

A bioengenharia é uma área de conhecimento na qual os princípios da engenharia são aplicados à biologia e medicina.

Bioética

A bioética é o estudo dos aspetos éticos em ciência e medicina.

Bioeticista

Um bioeticista é um indivíduo que estuda os aspetos morais e éticos relacionados com os avanços biológicos na ciência e na medicina.

Biomaterial

Um biomaterial é um material natural ou sintético que é utilizado para uma aplicação biológica. Por exemplo, os componentes de uma articulação artificial são biomateriais.

Bisfenol A

O bisfenol A (BFA) é um químico industrial e disruptor endócrino, utilizado no fabrico de certos plásticos e resinas desde a década de 60. Permanece controverso devido ao seu potencial de contaminar os alimentos e bebidas a partir dos recipientes fabricados com este químico. Tem ainda a capacidade de se introduzir no organismo quando se manipulam produtos que o contêm. Os estudos em roedores demonstraram que a exposição ao bisfenol A pode interferir com a função reprodutora.

Blastocisto

O blastocisto é um embrião com cerca de 116h (dia 5), com uma estrutura bem definida onde se observa a trofoectoderme e a massa celular interna. A trofoectoderme irá dar origem à placenta, enquanto que a massa celular interna irá dar origem ao embrião/feto. Os blastocistos podem ter várias classificações dependendo do seu estádio (de inicial a eclodido), com o número e definição da massa celular interna bem como o número de células que constitui a trofoectoderme.

Blastómero

Os blastómeros são as células que constituem o embrião pré-implantatório. São estas células que são utilizadas para o conhecido diagnóstico pré-implantação (DPI), em que é removido um blastómero dos que constituem o embrião que se quer avaliar e é feito um teste genético de modo a detetar anomalias genéticas que o embrião possa ter. 

C

Camada germinativa primordial

São três as camadas germinativas primordiais: a ectoderme, a endormerme e a mesoderme. As células germinativas primordiais não são relacionadas com estas camadas, contudo, todas estas células derivam da massa celular interna do embrião.

Cancro

Tumor caracterizado por uma população de células que cresce e se divide de forma anormal e não controlada, invadindo e destruindo tecidos adjacentes, podendo igualmente disseminar à distância.

Cancro do ovário

Neoplasia (tumor maligno) com origem no ovário, estrutura responsável pela produção de óvulos e secreção de hormonas na mulher.

Capacitação

A capacitação é uma reação de maturação que ocorre no espermatozoide, sendo fundamental para a fecundação. In vivo, a capacitação ocorre no trato reprodutor feminino, sendo induzida por componentes como a albumina. Contudo podemos mimetizar a capacitação in vitro, adicionando os componentes indutores necessários aos meios de cultura de espermatozoides. A capacitação, que também é dependente da temperatura, é caracterizada por inúmeros eventos celulares que irão permitir ao espermatozoide a aquisição de motilidade hiperativa (necessária para a penetração no oócito), bem como que ocorra a reação acrossómica.

Cariótipo

Refere-se ao número e estrutura dos cromossomas numa célula. Para obter um cariótipo os cromossomas são observados e analisados durante a metafase da divisão celular, pelo que a determinação do cariótipo de um indivíduo exige cultura celular para permitir a observação de um maior número de células nesta fase do ciclo celular. As amostras a estudar são cultivadas em meios apropriados. A divisão celular é interrompida em metafase e em seguida as células são sujeitas a um choque osmótico, fixadas, estendidas em lâminas, coradas por diferentes técnicas e observadas ao microscópico. Os pares de cromossomas serão posteriormente identificados e dispostos por ordem descendente de tamanho. O estudo do cariótipo permite a deteção de anomalias incluindo defeitos estruturais dos cromossomas e aneuploidias. Por exemplo, na Trissomia 21, também conhecida como Síndrome de Down existem três cópias do cromossoma 21 ao contrário das duas cópias que estão presentes nas células euploides.

Caspases

As caspases são um tipo de proteases, ou classe de enzimas que decompõe outras proteínas. As caspases estão envolvidas na iniciação e execução de apoptose (morte celular programada). As caspases transmitem sinais intracelulares, através de uma “cascata de caspases” na qual uma caspase cliva uma segunda caspase e esta clivagem ativa a segunda caspase. Uma vez ativada, a segunda caspase pode decompor outras caspases (ativando-as) ou outros ligandos.

Cauda

A cauda do esperma, ou flagelo , move-se de uma maneira que impulsiona o esperma e permite que ele se mova após ser depositado no aparelho reprodutivo.

Células corticotróficas

As células corticotróficas são células especializadas da hipófise anterior que produzem a hormona corticotrofina.

Células do cumulus

As células do cumulus são uma das classes das células da granulosa que envolvem o oócito, mesmo durante a ovulação. Sabe-se que têm um papel predominante na comunicação bidirecional com o oócito e possuem inúmeras funções, tais como a coordenação do desenvolvimento folicular e a proteção e maturação do oócito. As células do cumulus são uma das barreiras que o espermatozoide tem de passar para que ocorra fertilização. Rotineiramente, ao conjunto oócito e células do cumulus designa-se por complexo cumulus-oócito. Em algumas das técnicas de reprodução medicamente assistida (ICSI) estas células são removidas.

Células da granulosa

As células da granulosa são as células que rodeiam o oócito no folículo. Estas células têm como funções a proteção e o suporte do gâmeta feminino necessários para o seu desenvolvimento. São estas células que posteriormente dão origem às células do cumulus, tendo também um papel predominante da regulação hormonal dos processos que ocorrem na gónada feminina.

Células da teca

As células da teca são células somáticas presentes no folículo em desenvolvimento. Estas células situam-se externamente à camada de células da granulosa. Quando ocorre a ativação dos folículos, na fase secundaria do desenvolvimento, as células da teca são recrutadas para se diferenciarem. Quando estão ativas, estas células produzem androgénios que são cruciais, durante a maturação folicular, para a comunicação hormonal entre as células da granulosa e os oócitos. As células da teca também protegem o folículo em desenvolvimento, dando suporte estrutural e vascular até á ovulação. Após a ovulação as células da teca tornam-se a origem e suporte hormonal para a gravidez.

Células estromais

As células estromais são células de tecido conjuntivo. Os tipos mais comuns são os fibroblastos, as células do sistema imunológico, os pericitos, as células endoteliais e as células inflamatórias. São mais frequentemente associadas ao sistema hematopoiético, à mucosa uterina (endométrio), à próstata, ao ovário e a outros órgãos.

Células gonadotróficas

As células gonadotróficas são células especializadas da hipófise anterior que produzem as gonadotrofinas, FSH e LH.

Células lactotróficas

São células da hipófise anterior que produzem prolactina.

Células de Leydig

Células de Leydig são células testiculares que produzem a testosterona em resposta à hormona luteinizante (LH) da hipófise. Encontram-se no espaço intersticial dos testículos, entre os túbulos seminíferos.

Células de Sertoli

Células de Sertoli são células somáticas (células não germinativas ) dentro dos túbulos seminíferos dos testículos que suportam as células germinativas durante o seu desenvolvimento , proporcionando-lhes nutrientes e fatores de crescimento. 

Células somáticas

As células somáticas são células diploides que formam todos os órgãos e tecidos do organismo. Em contraste, as células germinativas e as células estaminais não são células somáticas.

Células tireotróficas

As células tireotróficas são células especializadas da hipófise anterior que produzem a hormona tíreo-estimulante.

Ciclo do estro

O ciclo do estro, extensivamente estudado em roedores, refere-se às alterações cíclicas que ocorrem no aparelho reprodutor feminino e na sua recetividade sexual. Este ciclo é muitas vezes relacionado com o ciclo menstrual em humanos. O ciclo do estro divide-se em 4 fases distintas: proestro, estro, metestro e diestro – cada uma caracterizada por fisiologia distinta bem como por distinta morfologia e comportamento animal. O proestro é a porção do ciclo em que os ovócitos atingem a plena maturidade no interior dos folículos. O exame externo dos genitais femininos revela uma vulva edemaciada e a vagina aberta.O estro é a fase do ciclo em que ocorre ovulação. A vagina permanece aberta e, nesta fase, as fêmeas apresentam recetividade máxima aos machos. O metestro é a fase em que o óvulo maduro se movimenta ao longo das trompas de Falópio e a vagina está fechada. Se ocorrer copulação e fertilização, inicia-se uma gravidez. Se tal não acontecer, inicia-se a fase do diestro, a fase final do ciclo na qual os óvulos não fecundados são eliminados e a vagina permanece fechada. Durante este período, uma nova coorte de folículos inicia um crescimento rápido de forma a preparar a ovulação do novo ciclo. 

Ciclo menstrual

O ciclo menstrual é o ciclo recorrente de alterações fisiológicas que ocorrem em mulheres e em outros primatas em idade reprodutiva. Resulta da ação coordenada de hormonas produzidas a nível do cérebro e hipófise e que atuam a nível dos ovários e do útero, coordenando  a ovulação e a fecundação. Hormonas como a FSH, LH e activina produzidas a nível da hipófise respondem e controlam a secreção de estrogénios, progesterona e inibina pelo ovário. Estas hormonas atuam também na preparação do útero para a implantação. Se não ocorrer a implantação, ocorre a descamação endometrial, conhecida como menstruação.

Cílios

Projeções finas existentes na trompa de Falópio que se movem no sentido de permitirem a condução do ovócito do ovário ao útero.

Citocinese

No final da divisão celular (tanto na meiose como na mitose) após a separação dos cromatídeos, e de forma a originar células-filhas semelhantes, ocorre a citocinese. A citocinese não é mais do que a divisão do citoplasma de uma dada célula de forma a originar duas células idênticas e funcionais, que ocorre no final da telofase. Forma-se um anel contráctil na célula, que comprime o citoplasma até que ocorra a separação das células.

Clivagem

No embrião, a clivagem refere-se às primeiras divisões mitóticas, que têm início pouco depois da fertilização e que transforma o zigoto unicelular num embrião multicelular. Até ao estádio de blastocisto, a clivagem apenas aumenta o número de células no embrião e não o tamanho do mesmo.

Clítoris

Órgão eréctil do aparelho sexual feminino, homologo do pénis no homem. Localiza-se na vulva, acima da uretra e contém diversas terminações nervosas.

Clutch 

Refere-se a todos os oócitos que são produzidos ao mesmo tempo. Nos roedores pode-se verificar uma “clutch” de complexos cumulus-oócitos no oviduto, durante a ovulação. 

Cohosh preto ou Erva de S. Cristóvão

É uma planta medicinal utilizada no tratamento de sintomas da menopausa tais como afrontamentos, alterações de humor e secura vaginal. A investigação é inconclusiva no que diz respeito à sua efetividade.

Colo do útero

Trata-se de uma estrutura em forma tubular, localizada na zona terminal do útero e que se estende à vagina. Durante o parto, o colo do útero dilata de forma a permitir a passagem do feto. Na citologia do colo (Papanicolau) são colhidas células do colo para deteção de lesões pré malignas.

Coloração de hematoxilina-eosina

A coloração de hematoxilina-eosina é o processo pelo qual os reagentes hematoxilina e eosina são utilizados para visualizar a morfologia em cortes de tecido. A hematoxilina cora de azul o núcleo celular, enquanto a eosina cora as restantes estruturas celulares de rosa/vermelho.

Colostro

Conhecido como o “primeiro leite”, o colostro é a primeira forma de produção láctea da mama, antes da produção de leite. Nos humanos é produzido a partir da fase final da gravidez e contém diversos anticorpos que conferem imunidade passiva. O colostro é muito rico em proteínas, anticorpos, fatores de crescimento e vitamina A. Em comparação com o leite contém menor quantidade de hidratos de carbono, lípidos e potássio.

Contracetivo

Medicamento, químico, dispositivo ou barreira cuja utilização previne a ocorrência de gravidez.

Contrações de Braxton Hicks  

As contrações de Braxton Hicks são contrações uterinas irregulares que são frequentes no terceiro trimestre de gravidez. Habitualmente são descritas como um desconforto limitado à zona abdominal inferior. Estas contrações não resultam em trabalho de parto e habitualmente desaparecem com repouso.

Cordão umbilical

O cordão umbilical é um órgão fino que liga o feto à placenta. Contém duas artérias e uma veia que facilitam o transporte de oxigénio e de nutrientes para o feto. Também transporta os produtos tóxicos de volta para a placenta para serem filtrados na circulação materna.

Córion

Camada transparente, fibrosa, resistente à tração e que no interior da cavidade uterina se encontra aderente à decídua. A partir das 14 semanas adere ao âmnios constituindo as membranas fetais.

Corpo polar

O corpo polar (ou globo polar) é o produto da divisão assimétrica, que ocorre durante a meiose feminina. Relativamente ao oócito, em ambas as partes da meiose, ocorre a extrusão de um corpo polar, o que resulta, no final da meiose, em dois corpos polares e um oócito haploide. Os corpos polares possuem o ADN resultante da meiose, permitindo a redução do ADN do oócito. Ainda assim, o oócito contém os componentes necessários para suportar a futura fertilização e o desenvolvimento embrionário.

Corpus albicans

O corpus albicans é o resultado da degeneração do corpus luteum, em que ocorre a formação de tecido conjuntivo e colagénio, processo ao qual se denomina luteólise. É possível verificar que este processo ocorreu devido ao facto de que o que resta do corpus albicans forma uma cicatriz branca e fibrosa no ovário, que persiste por vários meses.

Corpus luteum

O corpus luteum (corpo lúteo ou corpo amarelo) é uma estrutura endócrina temporária, que se forma após a libertação do oócito maduro do folículo ovárico. É responsável pela produção de progesterona, estradiol e inibina A, bem como pela regulação da libertação da hormona libertadora de gonadotrofinas (GnRH), da hormona folículo-estimulante (FSH) e hormona luteinizante (LH). O corpo lúteo é composto por células da teca e da granulosa e é o precursor do corpus albicans, caso o oócito não seja fertilizado.

Córtex da suprarrenal

Parte externa da glândula de cor amarelada. Subdivide-se em três regiões, cada uma sendo responsável pela produção de uma diferente classe de hormonas. A zona glomerulosa é a mais exterior e produz minerolocorticóides como a aldosterona. A zona fasciculada é a zona intermédia e produz glucocorticoides, como o cortisol, que intervém no controlo metabólico. A zona mais interna é a zona reticular e produz androgénios. Considerando que as gónadas produzem uma quantidade muito superior de androgénios, a suprarrenal é considerada um local secundário de produção de androgénios.

Criopreservação

O processo que possibilita o armazenamento/conservação de células, tecidos ou órgãos é denominado por criopreservação. Este processo ocorre a temperaturas muito baixas de forma a permitir que, após a descongelação, estas estruturas estejam bem conservadas e funcionais. A criopreservação é utilizada para preservar gâmetas, tecidos e embriões (no caso da preservação da fertilidade) ou quando existem embriões excedentários após um tratamento com técnicas de procriação medicamente assistida, de modo a poderem ser transferidos posteriormente.

Criopreservação de ovócitos

Trata-se de uma técnica de congelação de ovócitos possibilitando a preservação da fertilidade a mulheres com diagnóstico de cancro antes de tratamentos  de quimio ou radioterapia.  A criopreservação de ovócitos é alternativa à criopreservação de embriões evitando a necessidade de fecundação, nos casos em que a mulher não tenha parceiro ou em que a limitação reprodutiva não seja aceitável para a paciente. A criopreservação de ovócitos implica a estimulação hormonal para promover o crescimento e maturação de múltiplos ovócitos maduros, a sua recolha do ovário, a sua congelação e o seu armazenamento por um determinado período de tempo. No futuro, estes ovócitos poderão ser usados para fecundação com esperma do parceiro de forma a obter uma gravidez.

Criopreservação de ovócitos por motivos  “sociais”

É uma forma de preservação da fertilidade que permite às mulheres saudáveis ​​criopreservar os seus ovócitos para utilização no futuro. As técnicas e procedimentos são os mesmos usados na criopreservação convencional de ovócitos, utilizada em pacientes com cancro. Implica a estimulação hormonal dos ovários através de medicação injetável de forma a promover o crescimento de vários folículos, a realização de um procedimento cirúrgico para obtenção dos ovócitos, a sua rápida congelação e o seu armazenamento por um determinado período de tempo. Futuramente, os ovócitos podem ser descongelados e utilizados para fertilização in vitro (FIV) de forma a obter embriões que podem ser transferidos para o útero e resultar, eventualmente, numa gravidez.

Criostato

Um criostato é uma câmara de baixas temperaturas que contem um micrótomo, usado para preparar secções finas de tecido criopreservado. O tecido é normalmente mantido a uma temperatura de -20°C.

Cromatídeo

O cromatídeo é uma porção (metade) do cromossoma replicado. O centrómero é o responsável pela junção de dois cromatídeos, até à anafase, em que ocorre a separação dos cromatídeos.

Cromatina

A cromatina é um complexo organizacional de ácidos nucleicos, constituído por ADN e proteínas, que possibilita a forma compacta dos cromossomas. A cromatina possibilita proteção do material genético bem como a regulação da transcrição e atividade dos genes.

Cromossoma

O cromossoma é uma estrutura constituída por ADN, ou seja uma forma de armazenamento do material genético. O ADN é organizado em cromossomas no início da meiose ou mitose, de forma a preparar a divisão celular.

Cromossoma sexual

Os cromossomas sexuais são um tipo de cromossoma que determina o sexo e as características sexuais de um organismo. Nos mamíferos, o sistema XY determina o sexo: as mulheres possuem dois cromossomos X e os homens têm um cromossoma X e um cromossoma Y.

Cultura de tecidos

A cultura de tecidos (ou a cultura de células) é a manutenção de um tecido ou de células num ambiente externo ao organismo, tipicamente utilizando um meio artificial como fonte de nutrientes.

D

Deferentes

O deferente é um tubo do sistema reprodutor masculino, que vai desde a extremidade do epidídimo até à próstata, onde se junta com a vesícula seminal para formar o ducto ejaculatório. Permite o transporte de espermatozoides maduros e segrega um líquido que é um componente de sémen. 

Densidade óssea mineral

Quantidade de cálcio e outros minerais que existe num segmento do osso. A densitometria óssea é usada para medir a densidade mineral óssea, avaliando a estrutura do osso de forma a estimar o risco de fratura, podendo deste modo ser utilizada para diagnosticar osteoporose.

Dequitadura

Refere-se à expulsão da placenta e membranas fetais do útero após o nascimento.

Diagnóstico genético pré-implantação

O diagnóstico genético pré-implantação é um procedimento de procriação medicamente assistida, que consiste num teste genético a uma célula (blastómero) retirada de um embrião. Esta tecnologia permite que se selecionem os embriões sem anomalias genéticas para serem transferidos e, assim, resultarem numa gravidez. Esta técnica foi desenvolvida com o intuito de estudar alterações genéticas particulares associados a doenças. Contudo, pode também ser usada para detetar diferentes fatores, incluindo aneuploidias e anomalias cromossómicas. O teste genético pode ser realizado a corpos polares (tanto o primeiro como o segundo), a blastómeros provenientes de embriões que estão em fase de clivagem ou a células da trofoectoderme do blastocisto.

Diploide

Designam-se por células diploides aquelas que possuem pares de cromossomas. No caso dos humanos, estas células possuem 23 pares de cromossomas, ou seja, um total de 46 cromossomas, designando-se também por células somáticas. Aos gâmetas que apenas possuem 23 cromossomas designam-se por células haploides.

Disco embrionário

O disco embrionário é uma estrutura plana em forma de disco, que se forma no embrião previamente à gastrulação em alguns vertebrados.

Disruptores hormonais

Disruptores hormonais (ou endócrinos) são substâncias que interferem com o normal funcionamento do sistema endócrino (i.e. a produção, libertação, transporte e regulação das hormonas no organismo). Há várias classes de disruptores endócrinos que incluem químicos sintéticos existentes no ambiente, em plásticos, pesticidas e poluentes vários. A exposição a estas substâncias tem sido relacionada com várias doenças, em animais e humanos.

Doação de embriões

Utiliza embriões não utilizados por um casal que lhes deu origem. Os embriões doados são transferidos para o útero da mulher recetora para obter uma gravidez.

Doação de esperma

Doação de esperma refere-se ao processo pelo qual um homem (dador de esperma) fornece esperma a outro homem ou casal infértil, na esperança de lhes permitir uma gravidez. A doação de esperma é parte do processo de reprodução com terceiros e normalmente ocorre através de um banco de esperma. As gestações usando esperma de dador são obtidas por inseminação artificial ou por fertilização in vitro (FIV).

Doação de ovócitos

Processo no qual uma mulher saudável se voluntaria para doar ovócitos a outra mulher na perspetiva que esta última possa obter uma gravidez. Na doação anónima a identidade da dadora é desconhecida para o casal recetor. Na maioria das vezes, a doação de ovócitos é anónima. Para obtenção de ovócitos é efetuado tratamento hormonal à mulher dadora que possa conduzir a superovulação. Este processo de superovulação possibilita a recolha de 10 a 15 ovócitos por ciclo.

Ducto

Ducto é um termo utilizado para descrever os canais de drenagem das glândulas ou de órgãos, no corpo humano. Ductal é habitualmente referido em relação aos canais lactóforos, responsáveis pelo transporte do leite da glândula mamária ao mamilo.

Ducto ejaculatório

Os ductos ejaculatórios são estruturas pares do sistema reprodutor masculino, formados pela união dos vasos deferentes com o ducto da vesícula seminal.

E

Eclosão assistida

A zona pelúcida envolve o embrião em desenvolvimento desde a saída das trompas de Falópio até ao útero. De forma a possibilitar a implantação do embrião no endométrio, esta camada protetora dissolve-se (processo natural denominado por eclosão (hatching). Estudos sugeriram que, para uma melhor taxa de implantação de embriões provenientes das técnicas de procriação medicamente assistida, seria relevante fragilizar/romper esta barreira. A eclosão assistida é uma técnica de micromanipulação, desenvolvida em laboratório, com o objetivo anteriormente descrito (fragilizar ou romper a zona pelúcida), tanto química como mecanicamente, com o intuito de facilitar a implantação do embrião no endométrio. Esta técnica é efetuada em alguns casos de infertilidade em que a zona pelúcida se encontra com elevada resistência/rigidez.

Ectoderme

A ectoderme é a camada exterior de células de um embrião em desenvolvimento. Durante o desenvolvimento embrionário, esta camada é formada no estádio de gástrula, podendo ser ainda subdividida em três partes. É a ectoderme que é precursora do tecido nervoso, pele, glândulas mamárias, glândula pituitária e o esmalte dos dentes.

Efetor

Um efetor é uma proteína, muitas vezes uma enzima, que se encontra no interior de uma célula que responde a estímulos hormonais e que auxilia na produção do resultado final dessa estimulação hormonal. Alguns efetores conhecidos incluem: fatores de transcrição envolvidos na alteração da transcrição genética celular, enzimas que controlam o armazenamento e recuperação da glicose intracelular, enzimas que produzem hormonas esteroides e proteínas estruturais intracelulares que controlam a forma e o movimento celulares. Estas moléculas utilizam frequentemente reservas de energia intracelular para amplificar sinais hormonais, de tal modo que a ligação de um número reduzido de moléculas hormonais conduz a uma atividade celular que seria impossível se apenas dependesse da energia produzida pela ligação dessas hormonas.

Ejaculação

A ejaculação é a libertação de sémen a partir do meato da uretra peniana durante o orgasmo.

Embedding

É o processo em que se fixa tecido numa matriz (como por exemplo parafina), que promove suporte e proteção (preservando as características da peça fixada), e que ao mesmo tempo permita manipulação futura, como no caso de ser necessário seccionar o tecido.

Embrião

O embrião é um organismo eucariota multicelular diploide. Nos humanos designa-se por embrião após a primeira clivagem e passa a ser designado por feto oito semanas após a fertilização. O processo de desenvolvimento do embrião é designado por embriogénese.

Endocrinologia

Estudo dos órgãos endócrinos corporais e das suas secreções denominadas hormonas.

Endocrinologista

Médico especialista no diagnóstico e tratamento de doenças associadas com as glândulas corporais e produção de hormonas.

Endoderme

A endoderme é uma das camadas de células que constitui o embrião em desenvolvimento (mesoderme, ectoderme e endoderme), sendo esta a camada interna. Tal como as restantes duas camadas, a endoderme é formada no estádio de gástrula do embrião. Esta camada de células dá origem a parte do trato gastrointestinal, do trato respiratório, do sistema urinário e a parte do epitélio do sistema auditivo.

Endométrio

O endométrio é um tecido altamente dinâmico que constitui o interior da cavidade uterina. A composição celular do endométrio é modificada ao longo do ciclo menstrual normal da mulher fértil. A implantação do embrião para estabelecer a gravidez é efetuada a nível do endométrio, que constitui dessa forma o “solo” para a nidação.

Endometriose

Situação clinica na qual as células endometriais crescem fora da cavidade uterina, frequentemente em órgãos e estruturas anatómicas adjacentes. A endometriose pode ser responsável por dores pélvicas, hemorragias anormais, distorção das estruturas anatómicas e infertilidade.

Ensaio de ELISA

O ensaio de ELISA (do inglês Enzyme-Linked Immunosorbent Assay) é um método usado para determinar hormonas em amostras sanguíneas. Esta técnica utiliza anticorpos que estão ligados a uma enzima. Estes anticorpos ligam-se especificamente à hormona presente na amostra. No final da reação, adiciona-se um químico e a enzima provoca uma alteração da sua cor (de transparente para azul). A quantidade de hormona na amostra é diretamente proporcional à alteração de cor.

Epiblasto

O epiblasto é a camada de células que constitui a parte superior do disco embrionário. Este provém da massa celular interna, durante a fase de blástula tardia e trofoblasto inicial. As células que constituem o epiblasto originam o embrião propriamente dito.

Epidídimo

O epidídimo é uma estrutura tubular e longa, ligada ao testículo. A sua função é permitir que espermatozoides não-móveis e incapazes de fertilização atinjam a maturidade funcional antes de passarem para os canais deferentes.

Escroto

O escroto é uma bolsa, que consiste em pele e outras camadas, que contêm os testículos. Está localizado entre o pénis e o ânus.

Espermátide

A espermátide é uma célula germinativa masculina haploide que completou a meiose. Imediatamente após a meiose, as espermátides são células redondas que não se assemelham a espermatozoides maduros. Devem passar pelo processo de espermiogénese nos testículos para formar estruturas como a cabeça, cauda e acrossoma e tornarem-se espermátides alongadas.

Espermatócito

O espermatócito é uma célula germinativa masculina a passar pelo processo de meiose. A recombinação de material genético entre cromossomos homólogos (crossing over) ocorre em cada espermatócito primário, que então se divide para produzir dois espermatócitos secundários haploides. Cada espermatócito secundário divide-se novamente para produzir um total de quatro espermátides.

Espermatogénese

A espermatogénese é o processo através do qual gâmetas masculinos (espermatozoides) são formados nos túbulos seminíferos do testículo. A espermatogénese é composta por três fases: divisão mitótica de espermatogónias (proliferação), divisão meiótica dos espermatócitos para produzir espermátides (meiose) e diferenciação de espermátides arredondadas para formar espermátides alongadas (espermiogénese). As células germinativas devem permanecer em contato com as células de Sertoli durante todo o processo. Após a espermatogénese nos testículos, os espermatozoides são ainda imóveis e devem passar por outros processos de maturação no epidídimo e do trato reprodutivo feminino para que possam fecundar um óvulo.

Espermatogónia

A espermatogónia é uma célula germinativa masculina localizada ao longo da membrana basal dos túbulos seminíferos do testículo que se divide por mitose. Quando as espermatogónias deixam de se dividir por mitose e entram em meiose tornam-se espermatócitos . Existem diferentes tipos de espermatogónias em diferentes fases de diferenciação e algumas espermatogónias indiferenciadas são as células estaminais da linha germinativa masculina.

Espermatozoide

O espermatozoide é a célula reprodutiva masculina que carrega o genoma haploide do pai. Cada espermatozoide é composto por uma cabeça (que contém o núcleo), uma peça intermediária (contendo mitocôndrias ) e uma cauda flagelar. Os espermatozoides são totalmente formados quando deixam o testículo, mas devem passar por processos de maturação adicionais no epidídimo e no trato reprodutivo feminino ( capacitação ) antes que serem capazes de fertilizar um óvulo.

Espermicida

Um espermicida é uma substância que destrói o esperma. É muitas vezes usado em conjugação com outros contracetivos tais como preservativos e diafragmas para reduzir o risco de gravidez.

Espermiogénese

A espermiogénese é parte do processo de espermatogénese. Durante a espermiogénese, espermátides arredondadas haploides mudam a sua forma e estrutura para espermátides alongadas e adquirem a especialização necessária para se tornarem espermatozoides maduros.

Episiotomia

Pequena incisão efetuada a nível do períneo, de forma a facilitar o parto vaginal. Pode ser realizada sob anestesia local ou regional, sendo a sua sutura realizada imediatamente após o parto.

Esteroidogénese

A esteroidogénese refere-se ao processo de produção de hormonas esteroides, tais como o estrogénio e a progesterona. Enzimas como as aromatases são necessárias para converter os precursores hormonais em hormonas esteroides ativas.

Estimulação ovárica controlada

Tratamento farmacológico, no qual os ovários são estimulados para induzir o desenvolvimento de vários folículos de modo a serem obtidos múltiplos ovócitos, por aspiração ecoguiada. Este desenvolvimento plurifolicular associa-se a elevados níveis de estrogénios circulantes. Nalguns casos, ocorre uma resposta sistémica exagerada à estimulação ovárica, resultando num síndroma de hiperestimulação ovárica que se caracteriza por um largo espectro de manifestações clínicas e laboratoriais. É classificado como ligeiro, moderado ou grave de acordo com o grau de distensão abdominal, de aumento dos ovários e de complicações metabólicas, respiratórias e hemodinâmicas, requerendo hospitalização nas situações mais graves.

Estrogénio

O estrogénio é uma hormona esteroide feminina que é produzida primariamente nos ovários e, em pequenas quantidades, no córtex da glândula suprarrenal, testículos e placenta. O estrogénio participa na regulação e orienta o desenvolvimento sexual feminino e do sistema reprodutor.

F

Falência ovárica prematura

A falência ovárica prematura, também conhecida como menopausa precoce, é caracterizada pela ausência de ovulação devido à redução ou ausência de folículos nos ovários de mulheres com idade inferior a 40 anos. Conduz a infertilidade ou subfertilidade e pode resultar de anomalias genéticas, remoção cirúrgica dos ovários ou ser secundária a tratamentos de radioterapia ou quimioterapia.

Farmacoperone

Uma chaperone farmacológica (ou farmacoperone) é uma pequena molécula que entra nas células e serve como um andaime molecular, a fim de fazer com que as proteínas mutantes enrolem e sejam encaminhadas corretamente no interior da célula. A mutação de proteínas leva muitas vezes a uma configuração molecular incorreta, o que resulta num encaminhamento incorreto da proteína dentro da célula. Assim, as moléculas mutantes podem manter um funcionamento adequado, mas em partes da célula onde a função é inadequada, ou mesmo deletéria, à função da célula. As proteínas mal enroladas são normalmente reconhecidas pelo sistema de controlo de qualidade da célula e retidas (e muitas vezes destruídas ou recicladas) no retículo endoplasmático. As farmacoperones corrigem o enrolamento de proteínas deformadas, permitindo-lhes passar através do sistema de controle de qualidade da célula e serem corretamente encaminhadas. Uma vez que mutações muitas vezes causam doenças, provocando o enrolamento ou encaminhamento incorretos das proteinas, as farmacoperones são potenciais agentes terapeuticos, uma vez que têm a capacidade de reparar esses defeitos.

Fase folicular

Fase do ciclo menstrual na qual o folículo ovárico se desenvolve e amadurece. Esta fase do ciclo menstrual tem início na menstruação e termina na ovulação, sendo caracterizada por um aumento progressivo na produção de estrogénios. 

Fase lútea

A fase lútea é a fase do ciclo menstrual em que se forma o corpo lúteo. Começa com a ovulação e termina com o início da menstruação. A fase lútea é caracterizada por um aumento gradual dos níveis de progesterona.

Fator de necrose tumoral

O fator de necrose tumoral (TNF) é uma família de citoquinas (moléculas de sinalização) que sinalizam por ligação a dois recetores específicos. O recetor TNF de tipo I e o recetor TNF de tipo II. A ativação da sinalização por TNF controla a sobrevivência, morte, proliferação e diferenciação celulares. Esta via é, portanto, responsável pelo desenvolvimento, organização e homeostasia de muitos tecidos, incluindo a mama e o sistema nervoso.

Fecundação

Evento que ocorre aquando da união do espermatozoide ao ovócito para produzir um zigoto. Durante a fecundação normal as células haploides femininas e masculinas fundem-se numa célula diploide.

Fecundidade

Termo que se refere ao potencial de conceber uma criança viva por ciclo menstrual.

Fertilidade

Capacidade para obter uma gravidez. 

Fertilização in vitro

Fertilização in vitro (FIV) é uma técnica de reprodução assistida na qual o ovócito e os espermatozoides são juntos fora do organismo humano, de forma a que a fecundação possa ocorrer. Os embriões obtidos podem ser transferidos para o útero ou criopreservados para uso futuro.

Feto

Nos humanos, o termo é utilizado para descrever o organismo em desenvolvimento a partir da oitava semana de desenvolvimento pós fecundação.

Fímbrias

Projeções terminais das trompas de Falópio cuja função é facilitar a captação do ovócito para a trompa.

Fixação

A fixação é o processo que permite conservar tecidos por métodos químicos de forma a preservar a sua estrutura.

Folículo antral

O folículo antral (ou folículo de Graaf) é o estádio folicular ovárico mais maduro, produto de cada ciclo menstrual. Podemos dizer que o folículo antral é constituído por um oócito totalmente desenvolvido, na fase da meiose metafase II, pronto a ser fecundado, rodeado por células foliculares e que possui uma cavidade cheia de líquido folicular denominada por antrum. Dada esta característica, este folículo pode ser distinguido devido ao seu elevado diâmetro.

Foliculogénese

A foliculogénese, que ocorre na gónada feminina, é o processo de desenvolvimento folicular ovárico. Este processo permite a maturação do folículo. Neste processo o folículo primordial é maturado até folículo de Graaf, que é libertado na ovulação, passando por outras fases como o primário, secundário (ou pré-antral) e antral. A foliculogénese, tal como a oogénese e a espermatogénese, é regulada por hormonas. O declínio do número de folículos aumenta com a idade da mulher.

Folículo ovárico

O folículo ovárico é a unidade funcional do ovário que é composto pelo oócito rodeado de células somáticas (estando incluídas as células da teca e da granulosa). As células somáticas deste folículo têm sobretudo uma função endócrina, em que produzem hormonas importantes para o desenvolvimento do oócito. As células somáticas, em particular as células da granulosa, comunicam de forma bidirecional com o oócito, através das projeções transzonais, sendo estas comunicações essenciais para o crescimento do oócito durante a oogénese. O oócito maturo é libertado do folículo por consequência da indução hormonal. Este evento acontece durante a ovulação.

Folículo primário

O folículo primário (ou primordial) é um folículo imaturo, constituído pelo oócito rodeado por apenas uma camada de células somáticas de suporte (células da granulosa). 

Folículo primordial

A fase do folículo primordial (ou primário) é a mais imatura, relativamente ao desenvolvimento folicular ovárico. O folículo primordial consiste num oócito rodeado por uma camada de células somáticas (as células da granulosa). 

Folículo secundário

O folículo secundário é um folículo em maturação. Este consiste num oócito rodeado por duas ou mais camadas de células somáticas de suporte (células da granulosa).

Folistatina

A folistatina é uma proteína que se liga à hormona activina. É produzida no ovário e na hipófise. É uma das várias proteínas que regula a secreção de FSH através do controlo da hormona ativadora activina.

Fuso

O fuso ou fuso acromático é uma estrutura constituída por microtúbulos que tem a capacidade de contrair e mover os cromossomas para pólos opostos, durante a divisão celular.

G

Gâmeta

Célula reprodutiva que existe a nível masculino e feminino e que é haploide. O ovócito é o gâmeta feminino enquanto o espermatozoide é o gâmeta masculino. A fecundação ocorre quando os dois gâmetas se unem para formar o zigoto.

Gametogénese

Combinação de processos necessários para a obtenção de gâmetas. Refere-se à espermatogénese no homem e oogénese na mulher. Durante o processo de gametogénese a célula precursora diploide sofre processo de meiose para produzir células haploides. Estas células haploides sofrerão processo de diferenciação até formas maduras com capacidade para serem fertilizadas.

Gástrula

Após a formação (por gastrulação) das três camadas principais de células (mesoderme, ectoderme e endoderme) na fase de blástula, o embrião evolui para gástrula. Denomina-se então por gástrula uma das fases do desenvolvimento embrionário, após a implantação no endométrio. Após esta fase, inicia-se a o desenvolvimento de órgãos no embrião.

Gastrulação

Gastrulação é o maior evento morfogénico que ocorre durante o desenvolvimento embrionário, que organiza o plano corporal, bem como as três camadas germinativas. A partir destas camadas dá-se o início do desenvolvimento dos órgãos.

Gelificação

A gelificação corresponde ao processo de transição da fase líquida para a fase de gel. A gelificação ocorre quando uma solução de polímeros diluídos é ligada em rede de forma cruzada.

Gene

As proteínas são as unidades funcionais da célula e são codificadas por regiões definidas do ADN. Estas regiões denominam-se genes, que são herdados dos progenitores. O Homem contém aproximadamente 20.000 genes codificadores de proteínas. O conjunto total de genes de um organismo é designado por genoma.

Género

Refere-se ao conceito social de homem ou mulher baseado em ações, atitudes e aparência. Não reflete necessariamente as diferenças biológicas tais como o aspeto dos genitais externos ou constituição cromossómica, podendo variar em função de expectativas socioculturais específicas.

Ginecologista

Médico que foca o seu estudo na saúde da mulher, em particular, no sistema reprodutor feminino.

Glande

A glande refere-se à extremidade do pénis. Nos homens não circuncidados a glande peniana é coberta por prepúcio, quando o pénis não está ereto.

Glândula bulbouretral

As duas glândulas bulbouretrais (também conhecidos como glândulas de Cowper) são glândulas acessórias do aparelho reprodutor masculino, localizadas em ambos os lados da próstata. Produzem secreções que se tornam um componente do sémen.

Glândula mamária

A glândula mamária é um órgão único que permite aos mamíferos a produção de leite para a sua descendência. Nos seres humanos, as glândulas mamárias são também denominadas de seios.

Glândula pituitária

A glândula pituitária é um órgão muito pequeno, localizado na base do cérebro, que produz e liberta hormonas (sinais) que controlam outros órgãos e processos corporais. A glândula pituitária responde a sinais do hipotálamo. A hipófise anterior é a porção anterior da glândula pituitária e segrega hormonas que controlam processos fisiológicos, incluindo o crescimento, reprodução e stress. A hipófise posterior está por trás da porção anterior e segrega hormonas que regulam o equilíbrio hídrico e as contrações uterinas durante o parto.

Glândula de Skene

As glândulas de Skene, também conhecidos como glândulas uretrais, são encontradas nas mulheres e correspondem à próstata dos homens. São glândulas tubulares situadas na parte superior da vagina e adjacentes à uretra. Drenam as suas secreções para a uretra e para o meato urinário.

Glândulas uterinas

São o compartimento epitelial glandular do endométrio que é contíguo ao epitélio luminal. As glândulas sintetizam e segregam a maior parte das proteínas e outros componentes do fluido uterino. As secreções glandulares são necessárias para a implantação do embrião.

Gónada

Glândula reprodutiva que produz os ovócitos na mulher e os espermatozoides no homem. As gónadas femininas são os ovários e as gónadas masculinas os testículos. Ambos os órgãos produzem também hormonas.

Gonadotoxicidade

A gonadotoxicidade corresponde ao dano temporário ou permanente ao nível dos ovários ou testículos após exposição a certas substâncias ou fármacos. A quimioterapia e a radioterapia agressivas utilizadas no tratamento de alguns tipos de cancro e doenças autoimunes são as causas mais frequentes de gonadotoxicidade e infertilidade subsequente.

Grandes lábios

São duas pregas cutâneas que fazem parte da vulva. A pele sobre os grandes lábios está coberta de pelos e rodeia o clitóris, a uretra e o introito vaginal.

Gravidez ectópica

Trata-se de uma gravidez em que a implantação do embrião ocorre fora do útero, mais frequentemente a nível da trompa de Falópio. A gravidez ectópica constitui um grave risco para a grávida e pode conduzir a situações de emergência médica.

H

Haploide

Designação das células com um único conjunto de cromossomas, característica dos gâmetas. Nos humanos as células haploides contêm 23 cromossomas.

Hidrogel

Um hidrogel é uma rede de polímeros com uma estrutura tipo sólido que aumenta muito de volume na presença de água.

Hímen

Anel de tecido que se localiza na abertura da vagina, que poderá ser rompido na penetração sexual ou noutra penetração.

Hiperplasia

Hiperplasia refere-se ao aumento do número de células num órgão ou tecido, que poderá ser indicador de uma alteração anormal ou pré cancerígena.

Hipoblasto

O hipoblasto refere-se à parte inferior do disco embrionário, que provem da massa celular interna, durante a fase de blástula tardia e trofoblasto inicial. As células pertencentes ao hipoblasto dão origem ao saco vitelino, que consiste num tecido extraembrionário que ajuda e suporta o crescimento embrionário.

Hipófise anterior

Porção anterior da hipófise que secreta diferentes hormonas envolvidas em diferentes processos fisiológicos, incluindo o crescimento, reprodução e stress (ver também adeno-hipófise).

Hipogonadismo

Função insuficiente das gónadas. Nas mulheres, os ovários produzem os ovócitos e estrogénios e progesterona. Nos homens, os testículos produzem espermatozoides e androgénios. A função sexual e a fertilidade podem estar afetados nos indivíduos em hipogonadismo.

Histerectomia

Remoção cirúrgica do útero da mulher.

Histologia

A histologia é o estudo das células e dos tecidos ao nível microscópico. É um ramo da anatomia que se debruça sobre a estrutura dos tecidos.

Histotrófico ou nutrição histotrófica

Mistura complexa de moléculas que são secretadas ou transportadas para o lúmen uterino. Inclui proteínas de transporte de nutrientes, iões, agentes mitogénicos, citoquinas, linfoquinas, enzimas, hormonas, fatores de crescimento, protéases e outros inibidores, aminoácidos, glicose, frutose, vitaminas e outras substâncias. O histotrofo é a fonte nutricional primária para o desenvolvimento do produto de conceção nos mamíferos. Nos humanos, a sua importância permanece ao longo do primeiro trimestre de gravidez, até que a nutrição hematotrófica se estabeleça.

Hormona

Uma hormona é uma molécula sintetizada por células especializadas de um determinado órgão que é transportada através da corrente sanguínea e que afeta outras células do organismo.

Hormonas bio-similares

Hormonas bio-similares são hormonas sintéticas ou artificiais que têm estrutura idêntica a hormonas produzidas no organismo. Os estrogénios e progesterona sintéticos são exemplos de hormonas bio-similares, ambas utilizadas na terapêutica hormonal.

Hormonas da tiroide

As hormonas da tiroide ou hormonas tiroideias, triiodotironina (T3) e tiroxina (T4), são produzidas pela glândula tiroide e são as principais responsáveis pelo crescimento e metabolismo.

Hormona do crescimento

A hormona do crescimento é uma hormona produzida pelas células somatotróficas da hipófise anterior. Esta hormona atua no fígado e no tecido adiposo para controlar o crescimento e o metabolismo dos lípidos, proteínas e hidratos de carbono.

Hormonas esteroides

As hormonas esteroides são hormonas naturais produzidas pela glândula suprarrenal, testículos e ovários, e pela placenta durante a gravidez. Existem 5 classes principais de hormonas esteroides, que derivam do mesmo precursor, o colesterol: 1) androgénios 2) estrogénios 3) progestagénios 4) mineralocorticóides 5) glucocorticoides. Os androgénios e os estrogénios influenciam o desenvolvimento sexual, a diferenciação e o desenvolvimento de carateres sexuais secundários e de comportamentos sexuais.

Hormona folículo-estimulante

A hormona folículo-estimulante (FSH) é uma hormona produzida na hipófise anterior que atua sobre as gónadas (ovários e testículos). Na mulher, esta hormona estimula o desenvolvimento folicular no ovário.

Hormona libertadora de gonadotrofinas (GnRH)

A Hormona libertadora de gonadotrofinas (GnRH) é uma hormona segregada em pulsos pelo hipotálamo, que estimula a síntese de gonadotrofinas pela hipófise anterior. As gonadotrofinas são essenciais para o desenvolvimento dos folículos ováricos (FSH) e para a ovulação (LH).

Hormona luteinizante (LH)

A hormona luteinizante (LH) é uma hormona libertada pela hipófise que regula o ciclo menstrual feminino e a ovulação. A LH tem ainda um importante papel na produção de esperma, no homem, pois estimula a produção de hormonas sexuais masculinas.

Hormona Tireo-estimulante

A hormona tireo-estimulante (TSH) é produzida pelas células tireotróficas da hipófise e atua na glândula tiroide, promovendo a secreção de hormonas da tiroide.

I

Implantação

Refere-se ao processo de fixação do blastocisto na cavidade uterina. O local preferencial de implantação na espécie humana é zona superior do útero. Quando a implantação ocorre fora da cavidade uterina dá origem a uma gravidez ectópica.

Imprinting genético

O imprinting genético é um mecanismo que envolve a metilação do ADN de forma a prevenir a expressão de um dos alelos de um gene, proveniente da mãe ou do pai. Síndromas como os de Beckwith-Wiedemann, Silver-Russell, Angelman, e Prader-Willi estão associados a erros no processo de imprinting genético.

Inseminação artificial

Inseminação artificial consiste na introdução de esperma diretamente no trato genital feminino, sem relação sexual. Trata-se de uma técnica utilizada para fins de fertilização em humanos e animais. O esperma, fresco ou previamente tratado, é introduzido na vagina ou diretamente no útero através de um cateter, na altura da ovulação, de modo a aumentar a probabilidade de fecundação do ovócito libertado.

In vitro

In vitro significa fora do organismo vivo. Uma experiência in vitro é aquela que é completada fora do organismo vivo, em ambiente artificial.

In vivo

In vivo significa dentro do organismo vivo. Uma experiência in vivo é aquela que é realizada dentro do organismo vivo.

Incontinência

Incapacidade para controlar as micções urinárias ou dejeções fecais.

Infeção do trato urinário

A infeção do trato urinário é a infeção e inflamação, causada por uma bactéria, que infeta o sistema urinário (rins, ureteres, bexiga e uretra). Muitas vezes, os sintomas são incomodativos e podem incluir dor ou ardor ao urinar, febre e fadiga.

Infertilidade

Incapacidade de obter uma gravidez após um ano de relações sexuais desprotegidas.

Infundíbulo

Porção distal das trompas de Falópio ou trompas uterinas. É a zona mais próxima do ovário, terminando em projeções finas, as fímbrias, que captam o ovócito libertado pelo ovário conduzindo-o ao interior da trompa.

Inibina

A inibina é uma hormona proteica, produzida no ovário e no testículo, que transmite mensagens de feedback à hipófise anterior sobre o funcionamento dos órgãos reprodutivos. Na mulher, a inibina aumenta durante o desenvolvimento folicular e decai na altura em que um ovócito maduro é libertado. A inibina bloqueia a hormona ativina e a falta desta hormona resulta em infertilidade ou esterilidade.

Inseminação intrauterina

A inseminação intrauterina consiste em introduzir diretamente na cavidade uterina, através de um catéter, o esperma previamente recolhido e processado, ultrapassando, assim, a barreira que o muco cervical representa. É uma técnica utilizada nalgumas situações de oligospermia ou astenospermia.

Insuficiência ovárica primária

Insuficiência ovárica primária, ou falência ovárica prematura, é uma perda precoce da função dos ovários devido à perda de folículos que ocorre antes do início típico da menopausa (antes dos 40 anos). Geralmente conduz a subfertilidade ou infertilidade e está também associada a osteoporose e a outras doenças autoimunes. Insuficiência ovárica primária difere da menopausa na medida em que as mulheres com Insuficiência ovárica primária podem ter períodos ocasionais ou irregulares e podem, eventualmente, engravidar.

Intrauterino

Significa dentro do útero. Contudo, e dado o útero ser acessível através do colo, o termo é usado para se referir ao interior da cavidade uterina. Por exemplo, o desenvolvimento intrauterino refere-se ao desenvolvimento do embrião dentro do útero, enquanto que o dispositivo intrauterino se refere a um dispositivo contracetivo inserido dentro da cavidade uterina.

Istmo tubar

A trompa de Falópio é constituída por três partes. O istmo representa o terço interno da trompa, estende-se da ampola ao corno uterino e tem um diâmetro de 2mm.

J

K

L

Lactação

A lactação é o processo de secreção de leite que ocorre nos mamíferos, de modo a fornecer alimentação e proteção imunológica aos seus recém-nascidos. Resulta da produção e secreção de hormonas específicas que levam ao desenvolvimento do sistema ductal da mama, o qual se inicia por volta do segundo trimestre de gravidez.

Laparoscopia

Laparoscopia é um procedimento cirúrgico, minimamente invasivo, realizado sob anestesia, que permite a visualização da cavidade abdomino-pélvica. Este tipo de cirurgia é muito útil para avaliação dos órgãos reprodutores femininos. É geralmente realizado em regime de ambulatório.

Laqueação tubar

Procedimento cirúrgico em que as trompas de Falópio são laqueadas. Este procedimento impede que os ovócitos alcancem as trompas de Falópio, onde normalmente ocorre a fecundação. É um método contracetivo e 99% eficaz na prevenção da gravidez. Apesar de ser considerada uma forma irreversível de controlo de natalidade, pode ser revertida através de um procedimento microcirúrgico no qual as trompas de Falópio são repermeabilizadas.

Leiomioma uterino

É um tumor benigno com origem na camada de músculo liso (miométrio) do útero. É também conhecido como fibroma uterino. Miomas são os tumores benignos mais comuns do trato genital feminino. Podem ser assintomáticos ou associar-se a hemorragia vaginal ou sintomas secundários à compressão dos órgãos vizinhos.

Leiomiossarcoma uterino

É um tumor maligno raro do miométrio. Esta condição é independente de um leiomioma uterino; a presença de miomas uterinos não aumenta o risco de leiomiossarcoma uterino.

Líbido

Líbido é um termo para o desejo sexual ou grau de desejo sexual. É a energia psicológica e emocional associada ao desejo sexual. A redução da líbido está associada a uma diminuição do desejo de ter relações sexuais.

Ligação cruzada

A ligação cruzada é o processo de ligação de duas moléculas; as ligações cruzadas podem ser de tipo covalente, eletrostáticas ou pontes de hidrogénio.

Lobular
Lobular é um termo usado para descrever lóbulos ou glândulas encontrados no tecido mamário e que produzem o leite.

É também um termo utilizado para descrever o crescimento celular anormal com início nos lóbulos mamários; ex: carcinoma lobular e neoplasia lobular.

Luteinização

A luteinização é o conjunto de processos através dos quais a diferenciação das células da teca e da granulosa do folículo pós-ovulação, resulta na formação do corpo lúteo.

M

Mãe hospedeira gestacional

Esta é uma mulher que acede em carregar e ter o parto de uma criança de outra pessoa ou casal, que pode ser infértil. É usado um embrião fecundado, resultante de fertilização in vitro e pertencente a outra mulher ou casal, e este é colocado cirurgicamente no útero da mãe hospedeira. No sentido de preparar o útero para a conceção e para a gravidez, as mães hospedeiras gestacionais necessitam de tomar hormonas. Após o parto, os pais biológicos da criança ficam com ela. Normalmente, a mãe hospedeira gestacional não tem uma relação biológica com o feto que está a carregar. A mãe hospedeira tradicional difere desta situação dado que fornece os ovócitos e carrega a gravidez. De notar que em Portugal, a maternidade de substituição não está legalizada.

Mãe hospedeira tradicional

Esta é uma mulher que acede em carregar e ter o parto de uma criança de outra pessoa ou casal. Ao contrário da maternidade de substituição gestacional, esta é a mãe genética do feto. Esta mulher é artificialmente inseminada com o esperma do futuro pai da criança e a partir daí leva a gravidez até ao fim.  De notar que em Portugal, a maternidade de substituição não está legalizada.

Mama

Glândula mamária localizada na região frontal do toráx. A mama é composta por 12 a 15 ductos e é influenciada pelas hormonas produzidas no ovário e pela prolactina.

Massa celular interna

A massa celular interna é referente ao conjunto de células que estão dentro do blastocisto. Esta camada de células dá origem às estruturas definitivas do feto. As células do pluriblasto são células estaminais pluripotentes, ou seja podem dar origem a todas as linhas celulares (mesoderme, endoderme e ectoderme), sendo conhecidas também por serem a origem das células estaminais embrionárias.

Maternidade de substituição

Consiste em uma mulher carregar e ter o parto de uma criança de outra pessoa ou casal. A maternidade de substituição pode ser tradicional ou gestacional. A maternidade de substituição tradicional consiste em a mulher carregar no seu útero um embrião resultante de uma inseminação artificial; neste caso esta mulher tem uma ligação genética com o feto que carrega. A maternidade de substituição gestacional (ou uterina) consiste em a mulher carregar no seu útero um embrião resultante de fertilização in vitro; neste caso esta mulher não tem nenhuma ligação genética com o feto que carrega. De notar que em Portugal, a maternidade de substituição não está legalizada.

Mecanismo de retrocontrolo positivo

Um mecanismo de retroalimentação positiva é um modelo no qual o comportamento do sistema cresce/amplifica por autoativação.

Medula da suprarrenal

Parte interna, de cor vermelho escuro ou cinza da suprarrenal rodeada pelo córtex. É constituída por células irregulares poliédricas especializadas na produção de catecolaminas sob influência sob sistema nervoso autónomo. Na medula suprarrenal são produzidos dois tipos de catecolaminas: adrenalina e noradrenalina, e uma pequena quantidade de dopamina. Estas hormonas intervêm em situações de stress, conduzindo a aumento da pressão arterial e da frequência cardíaca e diminuição de fluxo sanguíneo para a pele e trato gastrointestinal.

Meiose

Meiose é um tipo de divisão celular específico para a produção dos gâmetas. Este processo tem como principal característica a redução do número de cromossomas para metade (23 cromossomas; células diploides passam a haploides). A meiose tem duas fases: a fase I conhecida como fase reducional e a II conhecida como a da divisão equacional. Existem características como a troca de material genético / recombinação genética (crossing over) que ocorrem neste processo de divisão celular e que permite que exista variação genética.

Melatonina

A melatonina é uma substância química fisiológica que integra os mecanismos biológicos que regulam o ciclo de sono-vigília do Homem ao longo do dia. Também pode ser encontrada noutros seres-vivos, incluindo animais, plantas e micro-organismos. Em humanos, níveis elevados de melatonina são secretados pela glândula pineal durante a noite, o que causa tonturas. Têm sido usados medicamentos que contêm melatonina para tratar o jet lag e a insónia, mas a sua eficácia é discutível.

Membrana de fertilização

Estrutura presente em espécies tais como o ouriço do mar. Denomina-se por membrana de fertilização à membrana ou barreira que se forma após a fertilização de um óvulo por um espermatozoide. Esta membrana tem como função bloquear a entrada de outros espermatozoides, ou seja, prevenir a poliespermia.

Membrana vitelina

A membrana vitelina é a estrutura que rodeia diretamente o oócito em pequenos organismos como insetos, moluscos, anfíbios e pássaros. É o homólogo funcional da zona pelúcida dos mamíferos.

Membranas fetais

As membranas fetais são o âmnios e o córion. O córion constitui a sua camada externa e o âmnios a camada interna. As membranas fetais são flexíveis mas resistentes e fundamentais para a evolução da gravidez.

Menarca

A menarca é a primeira menstruação de uma mulher e ocorre, em média, aos 13 anos.

Menopausa

A menopausa é o período que marca o fim do ciclo reprodutivo da mulher e caracteriza-se pela cessação, de forma permanente, dos ciclos menstruais. Ocorre, em média, aos 52 anos. Analiticamente, caracteriza-se por níveis elevados da hormona FSH e está associada a sintomatologia vasomotora e a um risco aumentado de osteoporose e patologia cardíaca.

Menopausa cirúrgica

Menopausa cirúrgica refere-se à remoção cirúrgica de ambos os ovários, também conhecida como ooforectomia bilateral e que muitas vezes ocorre em conjunto com a histerectomia. Este procedimento resulta em sintomas da menopausa precoce, como afrontamentos, secura vaginal, suores noturnos e cansaço.

Menopausa induzida

A menopausa induzida é uma circunstância de menopausa precoce em relação ao expectável, resultante do uso de tratamentos, medicamentos ou remoção cirúrgica dos ovários. É motivo frequente de preocupação em mulheres com diagnóstico de cancro, dado que os tratamentos de quimioterapia e radioterapia usados para resolver a situação cancerígena podem concomitantemente levar a uma menopausa precoce.

Menopausa precoce

A menopausa precoce é a menopausa que ocorre antes dos 40 anos. Pode ocorrer naturalmente ou ser secundária a tratamentos médicos ou a problemas genéticos.

Menstruação
A menstruação é hemorragia que ocorre quando o revestimento endometrial é eliminado através da vagina.

Mesoderme

A mesoderme é uma das três camadas celulares germinativas do embrião, formadas pela gastrulação. Esta camada situa-se entre a ectoderme e a endoderme. É a mesoderme que dá origem ao tecido muscular, cartilagem, ossos, fígado, rim, entre outros.

Metafase

A metafase é uma fase da divisão celular (da meiose e da mitose) em que os cromossomas se encontram alinhados na zona equatorial da célula e do fuso acromático. Após os cromossomas estarem completamente alinhados, a célula passa para a fase seguinte que se denomina por anafase. Se a anafase ocorrer antes de os cromossomas estarem alinhados, pode originar aneuploidias.

Métodos de proteção de ovário

Métodos cirúrgicos e não cirúrgicos utilizados para reduzir o risco de lesão do ovário, durante a quimioterapia e a radioterapia. Proteção cirúrgica é uma transposição profilática dos ovários para longe do campo de irradiação pélvica (ooforopexia), enquanto que a proteção não-cirúrgica inclui “blindagem” pélvica e uso de análogos da GnRH e doses fracionadas de quimioterapia e radioterapia.

Microinjecção intracitoplasmática de espermatozoide

A Microinjecção intracitoplasmática de espermatozíde (ICSI) é uma técnica de reprodução assistida na qual um espermatozoide é microinjetado diretamente no ovócito para obter a fecundação. Trata-se de um técnica usada primariamente em situações de infertilidade masculina grave.

Micrótomo

O micrótomo é uma máquina utilizada para realizar cortes histológicos de tecido fixado. Os cortes obtidos podem ser posteriormente tratados com corantes de modo a poderem ser manuseados e analisados.

Mioma

Também denominado fibromioma, é um tumor benigno do útero. São tumores muito frequentes que atingem 20 a 40 % das mulheres. Na maioria dos casos são assintomáticos, embora possam resultar em dores pélvicas, dispareunia, menstruações excessivas e raramente em infertilidade.

Mitocôndrias

As mitocôndrias são organelos presentes nas células. Estes organelos são responsáveis pela produção de energia, ATP, a fonte de energia química para a célula, e podem participar também na regulação da homeostase celular, regulando vias de sinalização, de diferenciação e processos como a apoptose. As mitocondrias têm a capacidade de fusão e fissão, dependendo da necessidade energética da célula. Estes organelos são considerados semiautónomos, dado que possuem a sua própria maquinaria de replicação e ADN mitocondrial (mtADN). As mitocondrias do espermatozoide são degradadas após a fertilização, sendo apenas as mitocôndrias maternas (salvo raras exceções) que são transmitidas à geração seguinte.

Mitose

A mitose é um processo de divisão celular, em que uma célula dá origem a duas novas células, idênticas a si mesma e com o mesmo número de cromossomas. As etapas que constituem este processo são: a profase, a metafase, a anafase, a telofase e termina com a citocinese. A mitose está inserida no ciclo celular das células eucariotas, sendo conhecida também por fase M. A mitose ocorre em processos como a reparação e o crescimento de tecidos. Um erro no processo mitótico, quando detetado, leva à apoptose.

Monossomia

Situação clínica na qual as células contém um cromossoma em deficit. Na espécie humana as células normais possuem 46 cromossomas. Quando as células possuem 45 cromossomas dir-se-á que esse indivíduo possui uma monossomia. O síndrome de Turner é uma exemplo de monossomia na qual as mulheres possuem apenas uma cópia do cromossoma X.

Monte púbico

Monte púbico é o tecido que cobre a área púbica de uma mulher. A pele que cobre o monte púbico contém pelos e fica entre a parede abdominal e os grandes lábios.

Morfologia

A morfologia refere-se ao estudo da forma e estrutura de uma célula, tecido ou órgão. Normalmente estudam-se características como o tamanho, forma, cor e padrão.

Mórula

Numa das fases iniciais do desenvolvimento embrionário (dia 4 nos humanos), quando os blastómeros chegam a um número significativo (16) estes começam a compactar e formar uma massa. A este estádio designa-se por mórula. A mórula é precede o blastocisto.

Mosaicismo

A coexistência de duas ou mais linhas celulares, geneticamente distintas, no mesmo indivíduo, com origem no mesmo zigoto, é denominada mosaico. O mosaicismo pode ser devido a mutações espontâneas de DNA, reversão espontânea de uma mutação existente ou anomalias cromossómicas. As consequências clínicas de uma situação de mosaicismo dependem da proporção relativa da linha ou linhas anormais nos diversos tecidos e dos fenómenos que lhe correspondem. Regra geral, a existência de uma linha normal atenua as características fenotípicas da linha anómala.

Mutação

Uma mutação é uma alteração na sequência de DNA que pode alterar a estrutura ou função de uma proteína. As mutações podem ocorrer espontaneamente, ser herdadas de um progenitor ou serem quimicamente induzidas.

N

Neo-oogénese

Refere-se à produção de novos ovócitos ao longo da vida adulta de um organismo. A neo-oogénese ocorre frequentemente em vertebrados inferiores (anfíbios e répteis) mas pensa-se que não ocorra nos vertebrados superiores, especialmente nos mamíferos.

O

Obstetra
Médico especialista que presta assistência à mulher durante a gravidez, parto e puerpério.

Oligospermia

Oligospermia é o termo médico para uma diminuição do número de espermatozoides no sémen ou ejaculado. Fatores genéticos , idiopáticos e iatrogénicos podem resultar em oligospermia. Esta condição pode resultar em infertilidade, que pode ser superada através do uso de tecnologias de reprodução assistida.

Oncofertilidade

Oncofertilidade é uma nova disciplina que une a oncologia e a medicina da reprodução, com o objetivo de descobrir e aplicar novas técnicas de preservação da fertilidade em pacientes jovens com doenças ou tratamentos que ameaçam a fertilidade.

Oncologia

Área da medicina dedicada às doenças oncológicas.

Oncologista

Médico especialista no diagnóstico e tratamento de doenças oncológicas.

Oócito

O oócito é o nome dado ao gâmeta feminino, vulgarmente conhecido por ovo ou óvulo. Esta célula é produzida nos ovários (gónadas femininas) pela oogénese (processo meiótico) em paralelo com a foliculogénese, processos estritamente regulados por hormonas. Durante o desenvolvimento, o oócito para o processo meiótico em metafase II, sendo nesta fase da meiose que se encontra o oócito na ovulação e que permite a fertilização. O gâmeta feminino contém o ADN materno, bem como as mitocôndrias, RNAs mensageiros e proteínas que suportam a fertilização e o desenvolvimento embrionário.

Ooforectomia

Remoção cirúrgica de um ou ambos os ovários.

Ooforopexia
Ooforopexia ou transposição do ovário é um procedimento cirúrgico em que um ou ambos os ovários são suspensos e fixos à parede abdominal. As pacientes que necessitam de radioterapia podem ser submetidas a ooforopexia por via laparoscópica antes do primeiro tratamento de radioterapia, de forma a reduzir a sua exposição à radiação.

Oogénese

A oogénese é o processo em que são produzidos oócitos, os gâmetas femininos (a forma feminina da gametogénese). Este processo tem início no desenvolvimento inicial do embrião, com a migração das células germinativas primordiais para as gónadas. A oogénese é um processo peculiar e único, dado que tem a capacidade de bloquear e apenas reiniciar caso ocorra fertilização. Tal como a foliculogénese, este processo é regulado por hormonas.

Orgasmo
Um orgasmo refere-se ao pico de resposta física à estimulação sexual, caracterizando-se na maioria das vezes por prazer intenso, contrações musculares involuntárias da região pélvica e ejaculação (possível para homens e mulheres). Os orgasmos são controlados pelo sistema límbico, um conjunto de estruturas no cérebro, incluindo o hipotálamo, que desempenha um papel na resposta sexual.

Osteoclasto
Um osteoclasto é uma célula grande, multinucleada que existe no osso em crescimento.

Osteopenia
Osteopenia é uma condição na qual a densidade mineral óssea é baixa quando comparada aos níveis normais, mas não suficientemente baixa para se qualificar como osteoporose.

Osteoporose

A osteoporose é a perda de densidade óssea que pode resultar no risco aumentado de fraturas e deformações estruturais do corpo. É definida como uma densidade mineral óssea superior a 2,5 desvios padrão abaixo da densidade mineral óssea média de adultos jovens e saudáveis​​. Como os estrogénios são importantes para a manutenção e remodelação do osso, as mulheres na pós-menopausa perdem, naturalmente, densidade óssea com a idade e têm maior risco de osteoporose.

Ovário

Órgão reprodutor feminino que produz óvulos e segrega hormonas.

Ovo

Designação vulgarmente dada ao óvulo ou oócito. 

Ovulação

A ovulação é o processo no qual um folículo ovárico rompe e o óvulo maduro é libertado do ovário para a trompa de Falópio. A ovulação ocorre geralmente a meio do ciclo menstrual e marca a transição entre as fases folicular e lútea.

Óvulo

O óvulo corresponde ao gâmeta feminino (oócito) após completar a meiose. Nalgumas espécies, o óvulo é o produto da ovulação. Na mulher, o produto da ovulação é o oócito.

P

Papanicolau

Papanicolau é um método para rastreio do cancro do colo do útero. Obtêm-se células escamosas do exocolo e células cilíndricas do endocolo. A zona de transição entre estes dois tipos de células denomina-se zona de transformação e é o local onde ocorre a maioria das alterações celulares.

Partenonte

Os partenontes são produtos da partenogénese. O processo de partenogénese acontece quando os oócitos são ativados e iniciam a divisão mesmo sem serem fertilizados. Estes produtos da partenogénese contêm material genético de proveniência materna apenas, enquanto que o material genético do embrião é constituído pelo genoma paterno e materno. Até à data não foi reportado nenhum partenonte humano viável.

Parto pélvico

Parto com feto em apresentação pélvica. Nas gravidezes de feto único acontece em 4 a 5% das gestações de termo. Diversos fatores estão associados a risco de apresentação pélvica: multiparidade, gravidez gemelar, parto pré termo, alterações do volume de líquido amniótico, anomalias da placenta, malformações uterinas e tumores pélvicos.

Peça intermédia

A peça intermédia é uma das estruturas do espermatozoide que faz parte da cauda. Esta localiza-se logo após a cabeça do espermatozoide e é o local onde as mitocôndrias estão dispostas. Por esta razão, a peça intermédia é o local de maior produção de energia do espermatozoide.

Pélvis

A pélvis é a estrutura em forma de bacia do esqueleto dos animais vertebrados que suporta a parte superior do tronco e a coluna vertebral e protege o reto, a bexiga e os órgãos reprodutores.

Pénis

O pénis é o órgão sexual masculino, permitindo a passagem do esperma  para o trato feminino durante a relação sexual.

Perimenopausa

A perimenopausa, também chamada "transição para a menopausa", é o período de tempo em os ciclos menstruais regulares dão lugar a sintomatologia específica, incluindo baforadas de calor, secura vaginal, suores noturnos, ausência de menstruação e infertilidade permanente. Este período começa, normalmente, quando as mulheres atingem os 40 anos, embora os sintomas possam surgir mais cedo.

Período

É o período de tempo em que ocorre a menstruação.

Perinatal
Perinatal refere-se ao período em torno do nascimento - antes ou depois.

Períneo
O períneo é a área entre as coxas. Contém o ânus e, na mulher, a vagina.

Pequenos lábios

Os pequenos lábios são duas pregas de mucosa situadas entre os grandes lábios. Não contêm pelos e rodeiam o clítoris, a uretra e o introito vaginal.

Placenta
A placenta é um órgão que liga o feto ao útero de uma mulher durante a gravidez. Desempenha um papel na absorção de nutrientes, na eliminação de tóxicos e nas trocas gasosas necessárias ao crescimento do feto.

Polímero

Um polímero é uma grande molécula composta por unidades estruturais que se repetem. Os polímeros podem ser naturais (ex. ADN, alginato) ou sintéticos (ex. plásticos).

Poliploidia

Quando uma célula ou um organismo contém mais que dois pares de cada cromossoma homólogo, este é designado por poliploide. A poliploidia pode ter origem na falha da divisão nuclear após a replicação do ADN. A poliploidia difere da aneuploidia, dado que a aneuploidia refere-se ao ganho ou perda de um ou mais cromossomas (que não é multiplo do número n de cromossomas numa célula ou organismo).

Polispermia

A polispermia ocorre quando mais do que um espermatozoide consegue penetrar no oócito, resultando num zigoto poliploide e normalmente inviável. Durante a fertilização, o oócito possui mecanismos para prevenir a poliespermia, sendo um deles o bloqueio da polispermia pela zona pelúcida.

Pós-implantação
Pós-implantação refere-se ao período de desenvolvimento embrionário que ocorre após a implantação endometrial.

Pós-menopausa
Pós-menopausa refere-se ao período de tempo após a menopausa.

Pré-eclâmpsia
A pré-eclâmpsia é uma condição específica da gravidez que se desenvolve normalmente no final do segundo ou no terceiro trimestre. Caracteriza-se pelo aparecimento de hipertensão e excesso de proteínas na urina da mulher. Quando não tratada, pode levar a sérias complicações tanto para a mãe como para o feto.

Pré-implantação
Pré-implantação refere-se ao período de desenvolvimento embrionário que ocorre antes da implantação endometrial.

Preservação da fertilidade

Intervenções médicas para proteger a fertilidade dos indivíduos cuja doença ou tratamento da doença possa conduzir a situação de infertilidade.

Prepúcio

O prepúcio é a pele que, nos homens não circuncidados, cobre e protege a glande, quando o pénis está flácido. Nas mulheres, que cobre e protege a glande do clitóris.

Procriação medicamente assistida (PMA)

Técnicas desenvolvidas para aumentar a possibilidade de conceção. Incluem a fertilização in vitro (FIV), Microinjeção intracitoplasmática de espermatozoides (ICSI), diagnóstico pré implantação (DGPI) e criopreservação. Estima-se que mais de 5 milhões de crianças, em todo o mundo, tenham já nascido de técnicas de PMA.

Profase

A profase é a fase da divisão celular em que o ADN é organizado e condensado em cromossomas.

Progestativo ou progestagénio

Um progestagénio é qualquer substância natural ou sintética que possui algumas ou todas as propriedades biológicas da progesterona.

Progesterona

A progesterona é uma hormona esteroide, libertada pelo corpo lúteo e pela placenta, que prepara o útero para receber e manter um óvulo fecundado. É a hormona predominantemente secretada durante a fase lútea do ciclo menstrual e é essencial para iniciar e manter uma gravidez.

Projeções transzonais

As projeções transzonais são prolongamentos membranares. Estes prolongamentos têm origem nas células da granulosa dos folículos ováricos e atingem a membrana do oócito através da zona pelúcida. Na membrana do oócito, estas projeções formam junções gap e aderentes, que permitem a troca de informação ou componentes entre as duas células.

Prolactina

A prolactina é uma hormona libertada pela hipófise. Atua primariamente na glândula mamária para iniciar e manter a produção de leite após a gravidez.

Pronúcleo

O pronúcleo é o núcleo proveniente do espermatozoide ou do oócito após a fertilização. Depois da fertilização e do termo do processo meiótico, o ADN do oócito descondensa e forma o pronúcleo materno. Ao mesmo tempo, o ADN do espermatozoide descondensa o que leva à formação do pronúcleo paterno, sendo que em algumas espécies o pronúcleo paterno é maior que o materno. A fusão dos dois pronúcleos haploides resulta num embrião diploide.

Próstata

A próstata é uma glândula do sistema reprodutor masculino, situada logo abaixo da bexiga. Funciona no controlo da micção e segrega um líquido que é um componente do sémen.

Proteína

Uma proteína é uma molécula composta por vários aminoácidos num arranjo linear; as proteínas são responsáveis por executar as principais funções celulares (metabolismo, produção de moléculas especializadas e a reprodução por mitose).

Puberdade
A puberdade é o período do desenvolvimento humano durante o qual os jovens se tornam capazes de reprodução sexual. A puberdade é marcada por mudanças fisiológicas, tais como o desenvolvimento de carateres sexuais secundários (por exemplo, o desenvolvimento da mama no sexo feminino e o aparecimento dos pelos faciais no sexo masculino) e a maturação dos órgãos genitais. Geralmente ocorre entre os 10 e os 14 anos nas meninas e entre os 11 e os 16 anos nos meninos.

Q

Quimioterapia

A quimioterapia consiste na utilização de fármacos, administrados por via oral ou intravenosa, para destruir as células cancerígenas.

R

Radioterapia

A radioterapia é a utilização de raios de alta energia para danificar as células cancerosas impedindo a sua divisão e o seu crescimento.

Reação acrossómica

A reação acrossómica é um dos passos preponderantes para que ocorra a fertilização. Esta reação consiste na libertação/exocitose de enzimas hidrolíticas presentes numa vesícula do espermatozoide (denominada acrossoma) que degradam a zona pelúcida do oócito e permite a fusão das membranas do espermatozoide e oócito. Esta reação é induzida pela ativação de recetores membranares do espermatozoide através da ligação de proteínas da zona pelúcida.

Recetor

Um recetor é uma proteína, localizada na superfície ou no interior da célula, que permite à célula reconhecer moléculas específicas como as hormonas, ligar-se a essas moléculas de forma reversível e responder com alterações na célula ou nas substâncias químicas que produz. Os recetores são o primeiro passo de uma cascata que também envolve tradutores e efetores, que permite à célula receber, traduzir e responder a sinais químicos provenientes de próprio organismo ou do ambiente externo.

Recetor de estrogénio

O recetor de estrogénio (RE) é o principal veículo pelo qual a ação do estrogénio se expressa. Existem 2 isoformas destes recetores, REα e REβ, codificados por genes independentes, membros da superfamília de genes recetores nucleares, também conhecidos como ESR1 e 2 ou como NR3A1 e 2. A ação do estrogénio resulta da sua ligação ao domínio de ligação ao ligando e é mediada por interação do recetor com coativadores como o SRC1-3. O REα participa em numerosas funções fisiológicas importantes, quer na mulher quer no homem. Para além das funções reprodutivas está envolvido na regulação da mineralização óssea e fecho epifisário, na mulher e no homem, bem como na homeostasia energética. As ações do REβ são menos conhecidas mas parece estar envolvido na diferenciação do ovário. O REα pode ainda funcionar como um recetor da membrana plasmática mas parece existir um outro recetor de estrogénio na membrana, o GPR30, cujas funções estão ainda por clarificar.

Recombinação

A recombinação é a troca de genes entre cromossomas (conhecido por crossing-over) que ocorre durante a produção de gâmetas e resulta numa combinação de material genético única. A recombinação permite a introdução de variações genéticas, sendo considerada um dos aspetos fulcrais da reprodução sexuada.

Regime
Um regime é um plano de manutenção da saúde, referindo-se, muitas vezes, à dieta, terapia e / ou tratamento geral prescrito.

Relaxina

A relaxina é uma hormona proteica produzida pelo corpo lúteo do ovário, bem como por outros órgãos do sistema reprodutor masculino e feminino. Parece ter um papel importante na preparação do aparelho reprodutor para o nascimento e nas alterações que ocorrem no sistema cardiovascular da mulher durante a gravidez. A falta de relaxina em ratas grávidas resulta na incapacidade de amamentar as crias, devido ao irregular desenvolvimento dos mamilos.

Reprodução com terceiros

Utilização de ovócitos, esperma, embriões ou de uma mãe hospedeira para permitir que uma pessoa ou um casal infértil possa vir a ter filhos. A doação de ovócitos e esperma implica o recurso a técnicas de reprodução medicamente assistida, como a fertilização in vitro (FIV) ou a inseminação artificial, para a produção de embriões. No caso de existirem embriões dos pais biológicos ou embriões doados estes podem ser colocados no útero da futura mãe ou da mãe hospedeira. O envolvimento de terceiros nestes processos é limitado à fase reprodutiva, não se estendendo para a paternidade. De notar que em Portugal, a maternidade de substituição não está legalizada.

Reprodução sexual

A reprodução sexual é o processo em que o gâmeta masculino (espermatozoide) e o gâmeta feminino (ovócito) se fundem para criar uma prole geneticamente distinta.

Reserva ovárica

A reserva ovárica refere-se ao número de folículos primordiais que é estabelecido antes do nascimento, em seres humanos. Na ausência de neo-oogénese, a reserva ovárica determina a vida reprodutiva da mulher. Fatores, incluindo vários quimioterápicos, que reduzem a reserva ovárica, podem resultar em falência ovárica e menopausa precoces

Reto
O reto é a porção terminal do intestino grosso. Mede cerca de 12 centímetros de comprimento e é o local de armazenamento temporário das fezes antes de defecação.

Restrição de crescimento intrauterino

Restrição de crescimento intrauterino (RCIU) descreve a situação de crescimento do feto abaixo do percentil 10. Resulta frequentemente da insuficiência placentar.

S

Saco amniótico

O saco amniótico é composto por duas membranas finas e transparentes, o âmnios e o córion. O córion constitui a sua camada externa e o âmnios a camada interna. Contém o líquido amniótico que circunda o feto em desenvolvimento. O saco amniótico embora flexível é resistente e fundamental para o sucesso da gravidez.

Saco vitelino

O saco vitelino é um tecido em forma de bolsa, presente no embrião, que se situa perto da porção do hipoblasto embrionário, da massa celular interna, em desenvolvimento. Durante o desenvolvimento, este saco permanece na parte ventral do embrião. Na implantação, a cavidade do blastocisto dá origem ao saco vitelino, sendo designado por saco vitelino primário. Após o saco vitelino primário, é formado (a partir das células do hipoblasto) um secundário que o substitui. À medida que o desenvolvimento progride, o saco vitelino é incorporado no tecido intestinal. No início da gestação o saco vitelino serve de reserva de lípidos, gorduras e proteínas. As células estaminais células germinativas e hematopoéticas estão presentes no saco vitelino e migram para o abdómen no inicio da gestação. Posteriormente, o saco vitelino é reabsorvido no abdómen do embrião, em tempos distintos, de acordo com as diferentes espécies.

Seccionamento
Em exame histológico, o seccionamento é o processo de utilização de um micrótomo ou de um criostato para fazer secções finas de tecido (≈ 5 micrómetros) que são colocadas em lâminas de microscópio, para posterior análise.

Sémen

Sémen é o fluido ejaculado durante o orgasmo. O fluido seminal contém espermatozoides e as secreções das vesículas seminais, próstata e glândulas bulbo-uretrais.

Sexo
Sexo refere-se às diferenças na fisiologia e biologia entre mulheres e homens, tais como as diferenças cromossómicas (XX versus XY) e função/aspeto dos genitais externos. Sexo é também um termo usado para descrever diferentes atos físicos de intimidade realizados entre indivíduos, que podem incluir (mas não estão limitados a) o ato sexual, as carícias e a estimulação oral.

Síndrome dos ovários poliquísticos

Doença hormonal que afeta muitas mulheres em idade reprodutiva. O nome da doença resulta do facto de muitas mulheres com SOP terem ecograficamente múltiplos pequenos “quistos” de distribuição periférica nos ovários. Estes "quistos" correspondem a folículos imaturos que interromperam o seu desenvolvimento devido ao desequilíbrio hormonal. Caracteriza-se por uma produção excessiva de androgénios ováricos e por oligo ou anovulação, levando, muitas vezes, a situações de infertilidade. A mulher com SOP pode apresentar um crescimento excessivo de pelos, aumento de peso, acne e muitos outros sintomas, que variam de uma expressão ligeira a grave.

Singamia

Singamia é a fusão de duas células individuais (gâmetas) que produzem um único organismo (zigoto). A esta fusão também se pode chamar de reprodução sexuada ou fertilização.

Sistema de retrocontrolo negativo

Um sistema de feedback negativo é qualquer circuito que leva à supressão de um dos seus componentes ou de todo o sistema. Em muitos casos, o mecanismo de retrocontrolo negativo constitui uma vantagem adaptativa para alcançar o equilíbrio / a homeostase.

Sistema límbico

O sistema límbico é constituído por um conjunto de estruturas localizadas no cérebro e está envolvido no controlo da emoção, comportamento e memória.

Sistema transdérmico

Um sistema transdérmico é um material adesivo colocado sobre a pele para a administração de uma dose específica, controlada, de medicação. Uma das vantagens deste método é a facilidade de controlar quantidades finitas do medicamento administrado. Uma desvantagem é que não se adequa a todos os tipos de medicamentos.

Somatótrofos
Os somatótrofos são o tipo celular mais abundante da hipófise anterior e produzem hormona do crescimento.

Subfertilidade
Refere-se à diminuição da fertilidade, mas não a uma completa incapacidade de engravidar. Algumas causas comuns de subfertilidade incluem distúrbios ovulatórios, como a insuficiência ovárica prematura e o síndrome dos ovários poliquísticos, ou anomalias uterinas, como a endometriose. A subfertilidade também ocorre com o avançar da idade no sexo feminino.

Superovulação

Refere-se à produção de mais de um ovócito durante o ciclo menstrual. Poderá ocorrer naturalmente ou como resultado de estimulação por tratamentos hormonais. Em condições normais a existência de mais que um ovócito aumenta a probabilidade de gravidez múltipla. A superovulação envolve monitorização dos níveis hormonais e dos ovários através de ecografia.

Suprarrenal

As glândulas suprarrenais estão localizadas superiormente em relação aos rins. São parte integrante do sistema endócrino atuando na produção de diferentes tipos de hormonas envolvidas em respostas biológicas como a resposta ao stress.

Suores noturnos

Suores noturnos são episódios de sudorese noturna excessiva, que podem interferir com o sono.

T

Telofase

A telofase é um estádio da divisão celular que procede a anafase. Nesta fase o núcleo inicia a sua formação e os cromossomas começam a descondensar.

Teoria da origem fetal das doenças do adulto

A teoria da origem fetal das doenças do adulto, também conhecida como Teoria de Barker, defende que exposição fetal ao ambiente materno intrauterino pode causar impacto na saúde e doença do adulto. Os desvios ocorridos na gestação poderão levar ao desenvolvimento de hipertensão, doença cardiovascular e diabetes na vida adulta.

Terapêutica hormonal

A terapêutica hormonal é um tipo de tratamento médico do cancro. Uma vez que certos tumores respondem a estímulos hormonais, especialmente os tumores que envolvem o sistema reprodutivo, o objetivo da terapêutica hormonal é modificar a produção e atividade hormonal de forma a suprimir o crescimento e disseminação do tumor.

Terapêutica transdérmica

A terapêutica transdérmica é uma forma de tratamento que implica a absorção sistémica através da pele. Pode ter como formas de administração um adesivo transdérmico, uma loção ou um gel.

Teratospermia

Teratospermia é o termo médico para uma condição na qual espermatozoides com morfologia anormal estão presentes no sémen ou ejaculado. Tipicamente, mais de 40% dos espermatozoides no sémen terão morfologia anormal, incluindo espermatozoides pequenos, grandes e  espermatozoides com defeitos na cabeça, cauda e peça intermediária. As causas da teratospermia são desconhecidos. Esta condição pode resultar em infertilidade, que pode ser superada através da utilização de técnicas de reprodução assistida.

Testículo

O testículo, situado dentro do escroto,  é  o local da espermatogénese e também está envolvido na síntese e secreção de hormonas sexuais masculinas.

Testosterona

A testosterona é uma hormona esteroide produzida primariamente no testículo e, em pequenas quantidades, na glândula suprarrenal e no ovário. A testosterona participa na regulação e orientação do desenvolvimento sexual e reprodutivo do homem.

Tradutor

Um tradutor é uma proteína que converte informação química de uma hormona que se liga ao seu recetor numa linguagem que a máquina bioquímica intracelular possa compreender e à qual possa dar resposta. Os tradutores atuam normalmente na ligação entre os recetores aos quais se ligou uma determinada hormona e as proteínas efetoras que geram as respostas celulares finais. Os tradutores organizam-se frequentemente em cascata, o que permite a amplificação do sinal hormonal original por recrutamento das reservas energéticas da célula. Entre os tradutores típicos incluem-se enzimas tais como as cinases proteicas que incorporam grupos fosfato em proteínas celulares, alterando a sua carga, forma, posição e/ou funcionalidade. Incluem também pequenas moléculas, como o AMP cíclico ou diacilglicerídeo, que atuam como segundos mensageiros, no interior da célula, através da ligação às proteínas e alteração das suas atividades.

Transição materna para o zigoto

A transição materna para o zigoto ocorre no oócito durante os primeiros dias de fertilização e antes da implantação no útero. Nesta transição, os mRNAs maternos são utilizados para o desenvolvimento do zigoto. Depois da transição, os mRNAS são destruídos e é gerado novo material genético do zigoto.

Transposição ovárica

Procedimento cirúrgico através do qual os ovários são afastados do campo de radiação. O objetivo da cirurgia é mobilizar os ovários dentro da pélvis, para um local onde ainda possam funcionar mas estejam fora do campo da radiação nociva. Esta técnica não protege contra os efeitos da quimioterapia.

Trimestre
Um trimestre corresponde a um período de três meses na gravidez. Classicamente, a gravidez é de 9 meses (40 semanas de gestação) e é dividida em três trimestres: o primeiro trimestre corresponde aos primeiros 3 meses (1-12 semanas de gestação), o segundo trimestre aos 3 meses seguintes (12 a 28 semanas de gestação) e o terceiro trimestre aos últimos 3 meses (28-40 semanas de gestação).

Trissomia

Trissomia é uma situação na qual as células contêm um cromossoma extra. Na espécie humana as células normais possuem 46 cromossomas. Se possuírem 47 cromossomas dir-se-á que esse individuo possui uma trissomia. A trissomia 21 (também conhecida por síndroma de Down) é um exemplo de trissomia causada pela existência de três cópias do cromossoma 21.

Trofoblasto

O trofoblasto é constituído por uma população de células heterogéneas derivadas da trofoectoderme (a camada de células externa do blastocisto). O trofoblasto tem como função contribuir para a formação da placenta, o sítio de contacto entre a progenitora e o feto, no local da implantação. A diferenciação do trofoblasto difere consoante a espécie. Na espécie humana, as formas diferenciadas do trofoblasto são: o citotrofoblasto, o sinciciotrofoblasto e o trofoblasto extraviloso. 

Trofoectoderme

A trofoectoderme é uma parte do blastocisto que irá dar origem aos tecidos extraembrionários, como a placenta e o cordão umbilical.

Trompas  de falópio

As trompas de Falópio, ou trompas uterinas, são dois pequenos canais que ligam os ovários e o útero. O ovócito libertado do ovário será transportado pela trompa até á cavidade uterina. Cada trompa de Falópio divide-se em três partes: istmo, ampola e infundíbulo.

Túbulos seminíferos

Os túbulos seminíferos estão localizados nos testículos e são um local de diferenciação e desenvolvimento de espermatozoides.

U

Uretra
Em ambos os sexos masculino e feminino, a uretra é o tubo que liga a bexiga ao meato urinário. No homem, o esperma também passa através da uretra.

Útero
O útero é um órgão muscular, em forma de pera, localizado entre o reto e a bexiga. É o órgão onde o feto se desenvolve, durante a gravidez. Em mulheres em idade fértil, a camada interna do útero (endométrio) aumenta de espessura de forma a permitir a implantação de um ovócito fertilizado em cada mês. Se não houver um ovócito fertilizado, ocorre a descamação endometrial através da vagina. Este processo é chamado de menstruação.

V

Vagina
A vagina é um canal muscular que se estende desde o colo do útero (o colo do útero liga o útero à vagina) até ao exterior do corpo da mulher. Durante a relação sexual, o pénis entra na vagina.

Vesícula germinal

Quando o núcleo do oócito para na fase profase I da meiose, designa-se por vesícula germinal. Uma vez reiniciada a meiose no oócito, por indução da hormona luteinizante (LH), previamente à ovulação, ocorre a quebra do invólucro nuclear da vesícula germinal (GVBD).

Vesícula seminal

As vesículas seminais são estruturas pares localizadas imediatamente acima da próstata. Combinam-se com os canais deferentes, para formarem os ductos ejaculatórios e segregam um líquido que é um componente de sémen.

Vitrificação

A vitrificação refere-se a um método específico de criopreservação. Normalmente, a congelação de células ou tecidos tem como consequência a formação de cristais que danificam as estruturas. No caso da vitrificação, são adicionados reagentes crioprotectores a elevadas concentrações antes do arrefecimento rápido para prevenir o dano que a congelação provoca nas células.

Vulva
É a parte externa dos órgãos genitais femininos. A vulva inclui os lábios, o clitóris, o introito vaginal e o meato uretral.

X

Z

Zigoto

O zigoto é uma célula diploide que é concebida após a fertilização. A diferença entre o zigoto e o embrião é que este último inicia divisões celulares e passa a ser multicelular.

Zona pelúcida

A zona pelúcida é uma membrana composta por quatro glicoproteínas (ZP 1-4) que rodeiam a membrana plasmática do oócito. A zona pelúcida tem inúmeras funções sendo uma das mais importantes a indução da reação acrossómica e a prevenção da polispermia. Esta estrutura persiste até à pré-implantação do embrião em desenvolvimento, sendo necessária a eclosão do blastocisto, da zona pelúcida, para que ocorra a implantação.